tempos de paz: entre cinema e teatro

12 09 2009

Fiquei fascinado ao assitir “Tempos de Paz”, filme que chegou aos cinemas esta semana e que é, na sua despretensão, uma das mais interessantes realizações brasileiras desde o “Cheiro do ralo” (2007), por exemplo.

É claro que os dois filmes não têm nenhum parentesco, nada que os aproxime do ponto de vista temático ou estético. Enquanto o “Cheiro…” é um exercício de estilo, transgressivo e moldado a ser um cult para certos públicos, “Tempos de Paz” é muito mais um exercício de linguagem, de realização de um cinema mais maduro e consistente nas suas bases.

E essa diferença se dá fundamentalmente porque “Tempos de Paz” é uma versão cinematográfica de uma peça de teatro. Aliás, um texto sensacional, maravilhoso, apontado por boa parte da crítica como o melhor texto do começo do século XXI no país. Do finalzinho de 2001, o texto assinado por Bosco Brasil tem um título mais longo, próprio mesmo do meio: “Novas diretrizes em tempos de paz”. A história não é rocambolesca e não há uma abundância de personagens, pelo contrário. É a justeza, a singeleza e a profundidade de abordagem que tornam o enredo incontornável, insuperável.

Na trama, estamos em abril de 1945. A Segunda Guerra Mundial está no fim, e as forças européias aguardam o armistício. No Brasil, Vargas está no poder, e o Rio de Janeiro ainda é a capital federal. Lá, desembarcam diariamente hordas de refugiados do nazismo e dos horrores da guerra. Um deles é o polonês Clausewitz, que anseia começar uma nova vida no Brasil, onde se fala uma “língua macia, falada apenas por bebês e idosos, por gente que não tem dentes”.

Clausewitz aprendeu o português, mas na imigração, essa condição e outras contradições despertam a suspeita de um burocrata amargurado, embrutecido e descartado pelo sistema. É dele, Segismundo, que Clausewitz depende para receber o visto de permanência no Brasil, e os dois vão travar uma terceira guerra de palavras, aproximando dois mundos e duas vidas separadas pela língua, pela cultura, pelo destino.

Como se vê, não é um filme de ação, mas de reflexão, de emoção. Daí a importância da realização de Daniel Filho, talvez o homem mais importante do cinema nacional hoje, por trás de sucessos de bilheteria como “Se eu fosse você” (1 e 2), “A partilha”, entre outros. Daniel Filho atua, dirige, produz e, de forma naturalmente gregária, reúne em torno de si os melhores profissionais nos desenhos mais comercializáveis do produto cinematográfico. “Tempos de Paz” não deve se tornar um caminhão de dinheiro como “Se eu fosse você 2″, mas é justamente o sucesso arrasador deste que permite e dignifica a execução de um projeto como o de “Tempos…” Com isso, Daniel Filho marca mais uma vez o seu nome na história do cinema nacional, agora com coragem e maturidade.

Mas a importância de “Tempos de Paz” está também na transposição, na tradução, no trabalho de versão de linguagens. O texto é, como já disse, originalmente uma peça teatral, tem o tempo dos palcos, a ação dramática como base, os diálogos fortes e bem cortados como alicerce, o espírito das coxias. Para não perder em substância ou forma, o diretor convidou o próprio Bosco Brasil para escrever o roteiro, o que se revelou na melhor opção. Ajustes foram feitos do ponto de vista formal, permitindo que o público respire de vez em quando, olhando a bela baía carioca, cenas externas aos porões do cais 22, e por aí vai. Foi adicionado mais um elemento, próprio do cinema: um acerto de contas com o passado. Dois personagens que não existem na peça surgem no roteiro cinematográfico e ajudam a conduzir a trama num embrião de thriller. O próprio Daniel Filho interpreta o elemento-chave deste acerto de contas, um médico sem nome que resistiu ao governo de Vargas.

Nos papéis principais estão Dan Stulbach, na pele do imigrante polonês, e Tony Ramos, como Segismundo. Aliás, os realizadores não tiveram pudor em manter elementos bem sucedidos no teatro. Stulbach já vivera o personagem nos palcos, ao lado de Jairo Mattos. E tanto Tony Ramos quanto Stulbach estão so-ber-bos em seus papéis, num duelo de interpretação, que arranca risos nervosos, lágrimas furtivas e uma ânsia pelo desfecho daquele tormento criado entre eles. O público precisa perceber que estamos diante de um momento histórico da interpretação no cinema nacional, e isso não é exagero. Muito ainda vai se falar do duelo entre Ramos e Stulbach, como o encontro de dois atores de gerações diferentes mas que não encenam, mas contracenam, o que não é fácil quando se trata de cinema, uma arte tão cheia de cortes de câmera para enquadramento e de interrupções do fluxo interpretativo dos atores.

Por fim, a música adequada de Egberto Gismonti e uma belíssima homenagem dos realizadores aos refugiados da Segunda Guerra que chegaram ao Brasil e contribuíram para a nossa cultura e desenvolvimento… Por falar em homenagem, Bosco Brasil mantém a trama de seu texto original que resulta numa extraordinária homenagem e reconhecimento ao teatro, para além de sua utilidade num mundo repleto de desgraças… “Tempos de Paz” não nasce como um clássico do cinema nacional. Não parece ter essa pretensão. É uma realização singela, bem acabada, digna e honesta. Mas por isso tudo uma importantíssima obra para a cinematografia de qualquer país.





michael jackson em todo lugar

7 07 2009

Não acompanhei os funerais de Michael Jackson. Os muitos compromissos de final de semestre simplesmente impediram. Mais sortuda que eu, minha esposa – que já está praticamente de férias – zapeou pela TV hoje à tarde e ficou impressionada com a onipresença do rei do pop.

Segunda ela, ao menos doze emissoras transmitiam o tributo ao vivo: RTP, Globo, Band, Record, Record News, CNN, CNN espanhol, E!, MTV, MTV Brasil, CBS e BandNews. Falta de pauta, exagero midiático, circo sinistro, tudo isso e mais a gigantesca figura pública que o artista construiu durante a carreira.

Quando o papa João Paulo II morreu, o anúncio de sua morte foi considerada a notícia mais dada do mundo. O episódio foi desbancado pela vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas, em menções na mídia. Com o passamento de Michael Jackson, sem apelos religiosos ou políticos, isso deve mudar. Alguém aí duvida que o acontecimento possa ser o fato mais noticiado da história? A conferir…





quando miles encontra michael

6 07 2009

Porque ainda esta semana ouviremos muito falar de Michael Jackson, começo a semana com um encontro inusitado, emocionante e intenso: Miles Davis toca a “natureza humana” do rei do pop…





persona cia de teatro, 8 anos

15 03 2009

A Persona Cia de Teatro, de meus amigos Jefferson Bittencourt, Glaucia Grígolo, Malcom Bauer, Melissa Pretto e Igor Lima, está completando oito anos de (ótimos) espetáculos. Para marcar a data, foi postado no YouTube um clipezinho com cenas das montagens que fazem parte do portifólio do grupo: “F.” + “E.V.A.” + “Castelo de Cartas” + “Nem mesmo a chuva tem mãos tão pequenas” + “A galinha degolada”.

Parabéns ao grupo!





gaveta do autor, atualizada a edição

11 11 2008




cartola, 100!

11 10 2008

Hoje, Cartola faz cem anos.
Um século de lirismo, de poesia, de romantismo, de samba e romance.
Nas composições dele, o coração é um latifúndio, a mulher amada, uma deusa, a dor de amor, a dor maior.

Com Cartola, a letra do samba ganha contornos de verso poético. Com Cartola, a vida no morro até parece bonita e redentora. Com Cartola, sofrer apaixonado não é um mau negócio.

Para quem conhece, para matar a saudade. Para quem nunca ouviu dizer, amostras…

Tive sim

Peito vazio

Alvorada

As rosas não falam

Sala de recepção (a minha favorita!)





um selo de ética para a web?

8 10 2008

Patrick Thornton vem com a idéia de um selo de ética para sites na internet. O conceito dialoga com as preocupações de várias pessoas em torno de uma web com mais transparência, qualidade e confiabilidade. Segundo explica o próprio Thornton, a coisa funcionaria como as licenças de Creative Commons, já que estamos falando de internet e tratando de comunidades virtuais, redes sociais de pessoas que atuam na web.

Seriam cinco categorias, e cada uma delas teria níveis diferentes:

For instance, your blog could say that you do not accept anonymous sources, while I might accept anonymous sources as long as two-independent sources confirm the same information. This will create a lot of freedom for people to customize their specific ethics policy within our open source framework.

As categorias:

  1. Sourcing
  2. Objectivity/advocacy/opinion journalism or opinion
  3. Linking
  4. Copy editing/fact checking (does a second person fact check?)
  5. Conflicts of Interests.

O proponente do selo de ética diz que vários motivos estimulariam cada blogueiro ou dono de site a buscar certificar seus domínios na web com a nova rotulagem: transparência, marketing, satisfação dos usuários, por exemplo.

Mas a idéia, frisa o Thornton, está apenas tomando forma. Ele pede para que as pessoas divulguem o conceito, que mandem sugestões por email ou participem do online ethics wiki.
O que eu acho disso tudo?
1. O projeto parece bem intencionado. Mas desde Dante Alighieri sabemos que “o inferno está cheio de boas intenções”. Isto é, nada garante que ele tenha sucesso, que mude uma cultura, que seja incorporado pelos usuários, que se materialize em algo bom para a web e para as pessoas.
2. O projeto tem qualidades. A idéia tem o mérito de ser afirmativa, de apontar o que deve ser destacado na web por seus valores intrínsecos e não estratégias de visibilidade e outros mecanismos. O blog ou site deveria reunir condições e características que o distinguissem por valores e conteúdos relevantes, o que – em tese – tenderia a separar bem o joio do trigo.
3. O projeto toca em pontos nevrálgicos na web e ainda pouco explorados. O tema da ética é altamente polêmico. É um assunto que todos dizem defender ou gostar, mas pouca gente estuda e trabalha por ele. Sejamos francos. Também contaminam as discussões diversos interesses (inclusive conflitantes), uma carga pesada de subjetivismo, doses generosas de ceticismo e cinismo. Mas acho importante alguém colocar a cabeça para pensar e se arriscar para trazer esse tema para a discussão. O caso mais ruidoso e recente de que me lembro foi o de Tim O’Reilly que propôs um código de ética para a blogosfera e foi bastante rechaçado.
De qualquer forma, é uma idéia a ser discutida. Vai dar certo? Não tenho tanta certeza. Vai ter adesão? Penso que alguma. Vai ser implementada? Quem vai dizer será a comunidade…




google nos deixa mais burros?

4 10 2008

Joel Minusculi me falou de uma pesquisa que mostraria que a internet nos deixa mais burros. O texto saiu na Época Negócios (aqui) e, em resumo, menciona artigos de Nicholas Carr. Para ele, a internet vem modificando nossos cérebros e afetando nossa memória e resistência de leitura. Isto é, por conta do Google e Cia., não conseguimos ler textos mais longos. Ok, um prato cheio para quem quer satanizar as novas tecnologias.

Os argumentos de Carr são curiosos, interessantes, mas não me convenceram. Eu gostaria de ler a íntegra das pesquisas – cujos textos devem certamente ultrapassar dez ou quinze página – para me certificar…

(Se você, como eu, foge à regra de Carr, leia o texto dele que iniciou essa polêmica. Eu aviso: não é um texto curto)





livros de graça… em 50 sites!

4 09 2008

O Education Portal disponibilizou endereços de cinquenta sites na internet que permitem baixar livros completos gratuitamente e em diversos idiomas.

As referências estão divididas em “Livros de Ficção e Não-Ficção”, “Livros-Texto e Livros de Educação”, “Áudio-books” e “Livros de referência”.

Veja e baixe!





gaveta do autor, atualizado

12 08 2008




estão lendo mais no brasil, e a culpa é da escola

18 07 2008

É verdade que a metodologia mudou e que há quem desconfie dos números. Mesmo assim, os resultados da segunda edição dos “Retratos da Leitura no Brasil”, pesquisa feita pelo Ibope Inteligência para o Instituto Pró-Livro, mostram alguns números alentadores e direções inequívocas para as políticas de leitura no Brasil.

A melhor notícia é o aparente aumento do índice médio de leitura dos brasileiros com mais de 15 anos e pelo menos três anos de escolaridade, que dobrou em sete anos: de 1,8 para 3,7 livros per capita anuais. Aparente porque esse nicho é o único que permite algum tipo de comparação com a primeira edição da pesquisa, realizada em 2000/2001. Naquela oportunidade, foram ouvidas pessoas, em 44 municípios e 19 Estados, que, em projeção, representavam os hábitos de 86 milhões de brasileiros, ou 49% da população total do país então.

O trecho acima é da reportagem Fotografia do óbvio, que saiu na revista Educação, e que mostra que

A pesquisa evidencia a importância da família e da escola na formação de leitores. Para 49%, a mãe é a principal incentivadora, superando o professor (33%). Entre as crianças de 5 a 10 anos, 73% citam as mães como maior fonte de estímulo. E, em que pese a importância da escola, identificada como palco privilegiado para a formação de leitores, o estudo também revela que a instituição falha em seu papel de promover o letramento para além das atividades escolares, pois a leitura despenca com a saída da escola.





gaveta do autor, atualizado

10 07 2008





gaveta do autor, mais uma atualização

7 06 2008




gaveta do autor, atualização

13 05 2008





guernica em três dimensões

12 05 2008

No YouTube, há um video curtinho que oferece uma experiência agradável e interessante: nele, o internauta viaja com profundidade de campo pelo painel GUERNICA, de Pablo Picasso, pintado por ocasião dos bombardeios aéreos sofridos pela cidade espanhola de mesmo nome.

Sim, você leu certo. O quadro de duas dimensões – altura e comprimento – passa a ter mais uma, a largura, revelando volume de formas, diferenças de intensidade de luz, projeção de sombras… Literalmente, a tela se mexe, ganha vida.

Veja você mesmo.

 





um manifesto para a web e sua fauna

2 05 2008

De tempos em tempos, palavras conseguem dar sentidos que parecem definitivos aos desejos e vontades das pessoas. Às vezes, essas palavras resultam em plataformas eleitorais; em outras, transformam-se em odes; em outras ainda, viram manifestos.

Pois recebi um link para um texto de Marco Gomes que eu já chamaria de um Manifesto para a Web, palavras de ordem para o mundo que estamos construindo com cliques, bits, sentimentos e razões as mais diversas. “Eu faço parte da revolução” lembra – com links, claro! – como a web e seus usuários produtores e compartilhadores de conteúdo têm modificado não apenas a comunicabilidade mundial, mas também as formas como nos associamos.

Vale a pena ler e guardar. Ler e voltar a ler de tempos em tempos.





pós em mídia e cultura na era digital

19 03 2008

O Curso de Jornalismo da Univali está com inscrições abertas até 31 de março para a especialização “Mídia e Cultura na Era Digital”. Em nível de pós-graduação, o curso é voltado ao mercado de trabalho e dirigido aos profissionais das áreas de Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas) e da Educação e Cultura. Seu objetivo é aprofundar e analisar os fenômenos comunicacionais contemporâneos.

 

A pós-graduação é composta das seguintes disciplinas:

  • Jornalismo e Ética no século XXI
  • Mídia Digital
  • Linguagens Midiáticas
  • Mídia Regional
  • Mídia e Poder
  • Métodos de Pesquisa em Comunicação
  • Mídia e Educação
  • Mídia e Violência
  • Mídia e Cultura

O curso não exige a elaboração de uma monografia. Somente quem optar pela formação para o Magistério Superior terá que fazê-la. O investimento é de R$ 319,00 na inscrição e mais 16 parcelas de R$ 319,00. São 35 vagas e os ex-alunos da Univali têm 15% de desconto nas mensalidades. As inscrições podem ser feitas na Gerência de Pós-Graduação da Univali, na Rua Uruguai, 458 – centro, em Itajaí/SC. Outras informações podem ser obtidas através dos telefones 47-3341-7534 ou com o prof. Carlos Golembiewski, cel. 47-84210834.

Mais informações aqui.





mídia, religião e cultura: evento

13 03 2008

6ª Conferência sobre Mídia, Religião e Cultura
Diálogos na Diversidade
11-14 agosto de 2008
Universidade Metodista de São Paulo, Brasil

A 6ª Conferência Mídia, Religião e Cultura tem como objetivo a
formação para a interface com os temas da religião e cultura
relacionados à mídia, trazendo contribuições científicas
e profissionais para o enfrentamento e superação de
questões globais.

Inscrições até 31 de março.

Mais informações no site do evento





steven johnson no roda viva

26 02 2008

A TV Cultura exibiu há pouco o Roda Viva, que entrevistou o professor e crítico cultural Steven Johnson, bastante conhecido por quem se interessa pelas discussões sobre games, mídias digitais e desenvolvimento humano.

Johnson, como sabem também, esteve no Brasil para a Campus Party, onde deu autógrafos, palestras, sorrisos e ainda lançou seu mais novo livro, O mapa fantasma. Mas Johnson é mais conhecido por outros dois títulos polêmicos: Cultura da interface, Every thing bad is good for you.

A coletiva do Roda Viva ficou bastante centrada na relação entre games e aprendizagem, uso de games para além da diversão. Em praticamente metade do programa, muitas perguntas bateram na mesma tecla, fazendo com que o professor tivesse que explicar seus argumentos de que games, TV e sites de relacionamento, por exemplo, embora pareçam nocivos às pessoas, podem deixa-las mais inteligentes, já que despertam nelas potencialidades pouco exigidas nas mídias tradicionais e livrescas. Johnson se refere a coisas como tomadas de decisão rápidas, resolução de problemas mais simples e – em seguida – mais complexos, raciocínio rápido e destreza manual, amplitude e orientação espacial, etc…

A concentração das perguntas sobre games me pareceu demasiada, mas também sinaliza uma situação: fora a PlayTV – voltada para o público gamer -, não há oportunidades na TV brasileira para se discutir e pensar o assunto. Geralmente, os games viram notícia em duas situações: no seu lançamento – e aí, é jabá – ou na sua proibição ou condenação pelos “malefícios que provoca às novas gerações”. Para a grande mídia, game ainda é brincadeira de criança, e não a indústria de entretenimento que mais cresce no planeta e que já até desbancou a cinematográfica em movimentação de ativos.

De qualquer forma, me fez pensar…

(Neste blog, já tratei de games e educação aqui e aqui)

(O blog do Steven Johnson está aqui)





livro combina com vídeo

20 02 2008

Sempre adorei comprar livros. Quando vou a uma livraria, não posso ter pressa, compromisso nem nada. Gosto de vasculhar as estantes, pegar os volumes, acariciar as capas, devorar orelhas e contracapas, escanear os sumários. Comprar livros é um prazer sensorial: envolve tato, visão, olfato e até o paladar (quem não lambe a ponta do dedo para folhear?)

Não renunciei a este prazer, mas não resisto e compro também pela internet. As livrarias virtuais estão cada vez mais interessantes. Entre as nacionais, a minha predileta é a Cultura. Tem visual claro, sem a poluição da Amazon ou as cores berrantes da Submarino. É segura, tem promoções interessantes e a entrega é super rápida.

Esta semana, descobri mais uma novidade que eu gostei lá na Cultura: agora, você clica num dos livros e abaixo das informações técnicas e trechos do livro, tem vídeos (do YouTube) relacionados.

Achei uma sacada! Cultura não tem fronteira: nem de país, de língua, de mídia, de nada…

Livro combina com vídeo sim!