objetividade e ensino de jornalismo: novos livros

23 11 2009

A Série Jornalismo a Rigor, editada pela Insular com iniciativa do Programa de Mestrado em Jornalismo da UFSC, lança este mês mais dois importantes títulos no mercado: Jornalismo, conhecimento e objetividade: além do espelho e das construções e A Escola de Jornalismo: a opinião pública.

O primeiro é assinado pela jornalista Liriam Sponholz, e traz uma versão de sua tese de doutorado junto à Universidade de Leipzig, na Alemanha. Retornando ao debate sobre a objetividade – tão caro ao jornalismo -, a autora conclui, entre outros aspectos, que “um jornalismo mais objetivo é possível, mas as suas chances parecem ser poucas.”

Segundo apresentação da obra, a “polarização entre duas visões do jornalismo – de um lado como espelho da realidade, de outro como construção ideológica – tem ajudado pouco na solução do problema fundamental da objetividade que, indiferente a esta tomada de partido, continua a orientar a prática dos jornalistas e de seus públicos na produção e no consumo diário de notícias”.

A Escola de Jornalismo – a opinião pública, segundo lançamento anunciado, é um clássico assinado por Joseph Pulitzer, lendário editor do The World e apontado, na década de 40, pela Associação Norteamericana de Editores de Jornais como “o maior jornalista de todos os tempos”. Seu nome até hoje é reverenciado no mercado e na academia, e Pulitzer se tornou a maior distinção da profissão nos Estados Unidos.
Na obra – em edição bilíngue, com tradução de Jorge e Eduardo Meditsch -, Pulitzer faz uma incisiva defesa do ensino superio específico em jornalismo, o que ajudou a alterar o conceito da indústria jornalística e da sociedade sobre a profissão.

Segundo a apresentação do livro, Pulitzer “via a sua  reputação arranhada pelo envolvimento nas encarniçadas batalhas pela audiência que fizeram a má fama do jornalismo marrom (lá yellow journalism), e decidiu associar o seu nome a iniciativas mais nobres: doou milhões de dólares para a criação da primeira faculdade de jornalismo dos Estados Unidos (que afinal foi a segunda, em Columbia) e a instituição de um prêmio anual ‘para encorajar e distinguir a excelência no jornalismo’. Em 1904, já cego, Pulitzer ditou este texto em resposta aos críticos de seu projeto: ao defender a Escola de Jornalismo, estabelece também os cânones modernos da profissão e produz um clássico da sua teoria normativa”.
Os dois livros têm lançamento previsto para o dia 26, quinta-feira, em meio ao 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Paulo.





william bonner e o fosso entre academia e mercado

22 10 2009

Tempos atrás, a visita de um profissional a uma universidade seria um episódio restrito apenas a quem o presenciasse. Por mais ruidosa que fosse a passagem, alunos e professores discutiriam nos corredores, e o fato seria armazenado na memória de quem o testemunhasse. Bem, eu disse “tempos atrás”. Hoje é diferente, e as muitas possibilidades tecnológicas de compartilhamento de informação, conhecimento e experiência soterram qualquer tentativa de esquecimento voluntário.

Acontecimento recente ajuda a ilustrar essa nossa obsessão por lembrar: no início do mês, o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional William Bonner palestrou na Universidade de Brasília e causou ranger de dentes com as críticas que fez aos cursos de Jornalismo brasileiros. Segundo relatou a professora Zélia Adghirni, publicado originalmente no Observatório da Imprensa, Bonner disse que as escolas de Jornalismo “não servem para formar jornalistas” e que elas “deveriam se preocupar mais com o ensino de Português e História. Para o resto, a universidade serve apenas como experiência de vida”. Conforme conta a professora, o editor-chefe foi categórico em afirmar que “jornalismo se aprende no mercado”, e que nem mesmo técnicas de redação e ética profissional seriam bem oferecidas nesses momentos de formação.

Bonner, contextualiza a professora Zélia, disse tudo isso, após a já esperada pergunta de estudantes acerca do fim da obrigatoriedade do diploma para a área. O auditório da UnB estava lotada, e fora dele, um telão retransmitia a palestra do jornalista. Ainda segundo o relato da professora, Bonner teria dito que “em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo”, transformação que poderia fazer de um taxista em jornalista.

Como eu disse, a passagem de Bonner pela UnB – por ocasião da turnê de lançamento de seu livro “Jornal Nacional – Modo de Fazer” – provocou ranger de dentes, que não ficaram apenas nos longos corredores da Universidade de Brasília, mas se espalharam feito rastilho de pólvora na blogosfera e em listas eletrônicas de professores e alunos.

O fosso

Não, eu não estava na palestra de Bonner. Mas confio no relato da professora Zélia, a quem conheço e respeito. E a julgar pelo teor do que foi dito, a passagem foi desastrosa. Não porque eu não concorde com o jornalista, afinal isso pouco interessa. Mas porque declarações como aquelas só fazem aprofundar e alargar um abismo entre academia e mercado, entre universidade e empresas. Aliás, é histórica a existência desse fosso separando duas instâncias que poderiam muito bem dialogar mais. Há muito tempo, assisto a demonstrações mútuas de ojeriza. Há anos, vejo gente na academia torcendo o nariz para o mercado, e gente do mercado bufando diante de professores da área. Não é, portanto, meramente ilustrativo o que digo sobre um fosso. Ele existe, e perdura e, ciclicamente, se expande.

Por contraste geológico, o desprezo manifesto por Bonner pela formação oferecida nas escolas é só a ponta do iceberg de uma relação de estranhamento que não contribui para o avanço do jornalismo profissional nem para os processos formativos de repórteres, editores e redatores. Isto é, ninguém ganha com isso. O mercado não se beneficia com os debates, as pesquisas, as soluções encontradas na academia, e esta se alija do que acontece no mundo competitivo, cruel, real e complexo a que as empresas estão habituadas. O setor produtivo não dialoga com o mundo da reflexão. A massa pensante tapa os ouvidos para a gente que faz. Claro que estou me apegando aos rótulos que se impuseram esses lados da equação, mas não estou muito longe do que influentes e importantes setores pensam acerca de si e de outrem.

O fato é que temos uma zona de atrito entre academia e mercado que – de forma muito prática – interessa a poucos. Interessa a quem se imagina como o centro do mundo, como quem está indisposto ao diálogo e à construção de caminhos.

Saídas?

Não defendo um pacto artificial entre as partes, nem ao menos a capitulação de suas posições. A academia não precisa pensar como o mercado, mas não pode ignorá-lo. Também não é prudente ou recomendável que as empresas, por sua vez, dêem de ombros para o que se pensa e se produz nas escolas. Se os cursos de Jornalismo estão ruins, é preciso encontrar maneiras de aperfeiçoá-los, se os produtos jornalísticos têm qualidade duvidosa, deve-se perseguir parâmetros melhores, refletindo sobre a prática, sobre rotinas produtivas, fluxos informativos, procedimentos operacionais, adoção de novas tecnologias…

São bem-vindas iniciativas como o da Globo Universidade, de aproximar seus quadros profissionais e empresas às escolas. Bem como é oportuna a criação de cátedras específicas, como a Cátedra RBS da UFSC. Repórteres, redatores, produtores, editores precisam transitar pelas universidades, palestrando ou fazendo cursos. Professores e alunos devem fazer visitas técnicas nas empresas, onde se pode colher dados para estudos de caso. Isto é, as saídas para a redução do fosso entre academia e mercado passam incontornavelmente pelo diálogo e pela disposição. Em outros países, a tensão empresas-universidade é menor, e o encaminhamento dos recém-formados aos postos de trabalho é um processo natural, não-traumático.

O manual e Homer

A academia se gaba de querer pensar criticamente as práticas do mercado. Que continue a fazê-lo, mas que também ofereça exemplos práticos de como aperfeiçoar processos e produtos jornalísticos. Isto é, que as práticas laboratoriais sirvam não apenas para reproduzir comodamente o que vem dando certo por aí, mas também simulem os desafios para a busca da experimentação e inovação, e contribuam para habituar os alunos a um ritmo profissional de produção.

O mercado alardeia que recebe jovens profissionais despreparados e que os “salva” na correria do dia-a-dia. Isso não é totalmente verdadeiro, e nos casos em que é, as empresas podem contribuir para que os cursos sejam melhores. Alguns grupos empresariais oferecem cursos internos de formação que muito se assemelham a períodos de treinamento e adestramento. Na ânsia de preparar seus quadros, as empresas formatam, engessam, restringem. Ultimamente, na mesma direção, tem sido lançados livros que atuam como suporte a esses cursos. “Jornalismo Diário”, de Ana Estela de Sousa, é um exemplo disso. O livro – que tem suas qualidades – segue a mesma receita já empregada pela Folha de S.Paulo em seu Manual de Redação: sabemos fazer jornalismo e só nós sabemos. Por isso, sigam as nossas regras e você estará fazendo jornalismo.

Isso não é dito literalmente, mas a leitura do volume permite entrever o quanto se despreza a academia e as linhas que guiam os cursos acadêmicos. Articulado ao programa interno de formação, do qual a autora é responsável, o livro é outra forma do monólogo que aprofunda a fissura entre academia e mercado.

O livro de William Bonner não é endereçado a estudantes de Jornalismo ou a professores. O timbre didático que ele assume do começo ao fim sinaliza que seu público é maior, na direção da audiência do telejornal mesmo. A preocupação com explicações técnicas é tão grande que o leitor pode se constranger pela rasura de alguns trechos. Como se o leitor fosse Homer Simpson. A comparação é minha, mas não é gratuita. Em 2005, Bonner se viu envolvido num incidente que ajudou a macular sua imagem, pois teria comparado o telespectador médio do JN ao personagem do desenho animado. A aproximação foi “denunciada” pelo professor Laurindo Lalo Leal e causou ressentimentos de parte a parte. Bonner alegou ter sido mal interpretado.

No final de “Jornal Nacional – Modo de Fazer”, o autor vai à forra e desenterra o assunto para um acerto de contas com Lalo Leal. Sob o pretexto de tratar da clareza como um valor a ser perseguido no telejornal, Bonner conta a sua versão do incidente e contrapõe, inclusive, declarações de colegas do professor para contestá-lo. Bonner não segura o rancor, e mesmo que em poucas páginas – e como na UnB – alarga ainda mais o fosso entre academia e mercado.





tem curso de jornalismo em todo lugar

30 09 2009

Logo depois da sessão do Supremo Tribunal Federal que exitingui a obrigartoriedade do diploma, uma das mais correntes previsões era de que o mercado de ensino de Jornalismo seria altamente prejudicado com a decisão. Instituições fechariam seus cursos, escolas deixariam de existir, já que – para entrar no mercado de trabalho – o diploma tornara-se dispensável.

Fiz questão de argumentar que tão difícil quanto abrir um curso é fechá-lo, e que nenhuma instituição de ensino considera essa uma boa saída, pois afeta a sua imagem, causa constrangimento e dissemina uma sensação de fracasso escolar. Afinal, se você está abrindo um curso, está expandindo. Encerrar atividades é justamente o contrário. Considero ainda que os alunos que buscam os cursos de Jornalismo não o fazem, na sua maioria, para atender a uma questão burocrática para sua habilitação. Isto é, não estudam por conta do diploma, mas procuram caminhos para a sua profissionalidade, para o seu ingresso no mercado de trabalho. Uma demonstração desse comportamento padrão está ao lado dos cursos de Jornalismo, nos de Publicidade e Propaganda, carreira que não exige diploma para atuação profissional, mas que é uma das mais procuradas em vestibulares e processos seletivos.

Mas é claro que a decisão do STF provocou solavancos no mercado de ensino de Jornalismo.

Fechando as portas
Nem mesmo o Instituto de Pesquisas em Educação Anísio Teixeira, o Inep, sabe ao certo quantos cursos de Jornalismo existem no Brasil. Os dados são conflitantes entre os diversos órgãos ligados ao Ministério da Educação. Por isso, é difícil estimar mesmo que tipo de impacto a decisão do Supremo terá sobre os cursos da área.

Informações já circulam pela internet de que duas instituições aproveitaram a ocasião para tomar decisões que já estavam no seu horizonte: fechar as portas de cursos com pouca procur. Foi o caso da Universidade de Uberaba (Uniube), cuja turma que seria formada através do vestibular de junho foi cancelada. A Facamp, por sua vez, encerrou o curso, argumentando que o final da exigência do diploma iria impor uma nova orientação aos cursos pelo país.

Até agora são essas as notícias sobre extinção de vagas nos cursos, bem aquém do vendaval apocalíptico que muitos alardearam. Mas olhando mais de perto, o que percebe são outros movimentos, alguns mais ruidosos, outros nem tanto, que apontavam justamente para o caminho oposto. Quer dizer, estão surgindo novas oportunidades no ensino de jornalismo. Não é o aparecimento de novos cursos superiores na área, mas o oferecimento de formação na área, para além dos meios convencionais de instrução formal. Tem empresas dando cursos, entidades, e até mesmo coletivos de jornalistas investindo em cursos mais curtos e dirigidos.

Abrindo vagas
No sentido contrário do fechamento maciço que se propagou entre os cursos de Jornalismo, surgem iniciativas que merecem atenção. Os programas de trainee de alguns veículos jornalísticos brasileiros estão de vento em popa. Os cursos de formação na Abril, no Estadão e na Folha continuam atraindo milhares de aspirantes a jornalistas, sempre projetando a imagem de que são cursos bem consolidados e altamente práticos. Os estudantes parecem buscar nessas iniciativas oportunidades de aprenderem o que não tiveram acesso em suas universidades. Isso é altamente questionável, mas os cursos das empresas são uma realidade já bem conhecida pela academia e pelo próprio mercado. Se eles “adestram focas” – como propaga do Estadão – ou não, é uma discussão posterior.

Recentemente, o Programa de Treinamento da Folha foi além do oferecimento de vagas, e lançou um livro que pretende ser uma espécie de manual para esta etapa de formação: “Jornalismo Diário”, de Ana Estela de Sousa Pinto, traz dicas importantes para os iniciantes, mas não consegue disfarçar o espírito que pauta o jornal quando se trata da formação de jornalistas. Praticamente ignora a academia e se apoia em fórmulas que parecem formatar os jovens jornalistas para o modo-Folha-de-ver-o-mundo.

Fora do Brasil, outros conglomerados também têm suas iniciativas de formação profissional, a BBC tem o seu college para reciclar seus repórteres e editores, e Reuters, um respeitado instituto de estudos em jornalismo.

Dado que me parece novo no contexto brasileiro é o surgimento de cursos dados por coletivos de profissionais, como a Escola de Comunicação, do Comunique-se, e a Escola Livre de Jornalismo, por exemplo. São cursos curtos e mais dirigidos, semelhantes a oficinas práticas, e notadamente voltados ao aperfeiçoamento de profissionais. Mas estudantes da área também se matriculam e ajudam a compor turmas inteiras. Há iniciativas, no entanto, que causam alarde por seu tom mercantilista e miraculoso: formar profissionais de sucesso em curso de 45 horas!

O mercado está tão movimentado em oportunidades que já existe inclusive um site que reúne informações sobre cursos e palestras sobre jornalismo. O internauta pode inclusive assinar gratuitamente uma newsletter semanal, que informa as principais novidades na área da formação.

E os estudantes?
Os aspirantes a jornalistas não podem se queixar da carência de possibilidades de formação. Os cursos superiores da área sempre são muito criticados pelo mercado, que alega que sua orientação é excessivamente teórica, e que os jovens profissionais chegam aos postos de trabalho sem o ritmo de produção esperado. Os cursos que abundam por aí não garantem isso, e há uma agravante: não há qualquer fiscalização ou controle de qualidade sobre essas palestras, minicursos ou oficinas. Diferente do que existe dentro do sistema formal de educação, via Inep e MEC. Nos cursos de pós-graduação – principalmente mestrados e doutorados -, a Capes exerce seu papel neste sentido.

Nos Estados Unidos, há indicativos que os cursos superiores vêm atraindo mais e mais estudantes. E lá, o diploma não é exigência para se atuar nas redações. Isso não significa que professores, profissionais e estudantes dêem menos atenção ao problema. Pelo contrário: Robert Niles, por exemplo, salienta oito coisas que os alunos deveriam exigir de suas escolas, e Suzanne Yada lidera um coletivo de estudantes de jornalismo que discute qualidade, conveniência e atualidade da formação ali oferecida.

Por aqui, movimentos de estudantes semelhantes seriam muito bem-vindos.

Um novo mercado de formação?
As diversas iniciativas de cursos que acabei de mencionar não chegam a configurar um novo mercado na área de formação profissional. Mas também não é o caso de ignorar esses movimentos, pois eles salientam demandas que nem sempre são supridas pelos cursos convencionais. Neste sentido, faculdades e universidades têm observado essas iniciativas, ora rechaçando preventivamente, ora buscando aproximações estratégicas.

Trata-se de concorrência? Nem sempre. Mas a presença desses novos players no mercado, associada a mudanças que se avizinham com novas diretrizes para os cursos e a não exigência do diploma, tudo isso, combinado, deve provocar alterações sensíveis na rota dos cursos de Jornalismo no país.





documento da comissão moderniza diretrizes, mas alonga cursos

19 09 2009

A comissão de especialistas designada pelo ministro Fernando Haddad para reformar as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Comunicação entregou ontem ao Ministério da Educação seu relatório final, um documento de 26 páginas que sugere modificações nas bases que sustentam os cursos de Jornalismo brasileiros. A comissão foi formada por alguns dos nomes mais respeitados e reconhecidos do país na área: os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Luiz Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), Manuel Carlos Chaparro (USP), Sonia Virginia Moreira (UERJ), da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), Sérgio Mattos (UFBA) e Lúcia Maria Araújo, do Canal Futura.

Eles tiveram pouco mais de seis meses para consultar a comunidade acadêmica, o mercado e organizações da sociedade civil, para reunir-se e discutir e para sistematizar todos os dados colhidos. O resultado é este documento. A partir de agora, o trâmite é interno ao MEC, com discussões no Conselho Nacional de Educação, onde tudo pode mudar, como já aconteceu em 2001, na edição das Diretrizes Curriculares em vigência. Aliás, é preciso ter em mente isso também: enquanto o CNE não aprovar novo documento que oriente os cursos, fica valendo o atual, um verdadeiro monstro de Frankenstein, que traz instruções para diversas habilitações do curso de Comunicação. O documento entregue na sexta já parte de um novo contexto: o de que o Jornalismo pode ter cursos específicos, com diretrizes próprias.

Há exatos sete meses, escrevi neste blog o que poderíamos esperar da comissão e do seu trabalho: em linhas gerais, eu manifestava que era um momento histórico para a área, pois estávamos diante da construção de novas bases para os cursos, e próximos de uma definição do Supremo Tribunal Federal sobre a polêmica do diploma. Eu temia pelo tempo, pela extensão do prazo: seis meses.

Se conseguirmos chegar à metade de 2009 com a decisão do STF – qualquer que seja ela -, com uma nova regulamentação profissional e com novas diretrizes curriculares, poderemos iniciar uma nova fase para o jornalismo brasileiro. A partir de 2010, estaremos começando uma nova década e não apenas no calendário…

Ora, eu estava errado, apressado demais. Seis ou sete meses foram um bom tempo para o diálogo, para a reflexão. O que precisamos agora é que a tramitação no CNE seja rápida e possíveis alterações apenas aperfeiçoem o documento da comissão. Chegamos aos dias que correm com a decisão do STF e com o final do trabalho dos especialistas sobre as bases dos cursos de Jornalismo. Este tem sido sim um ano histórico, basta adicionar a esses episódios o fim da Lei de Imprensa.

Mestrado profissionalizante e especificidade

Sem dúvida, o documento apresentado ao MEC atualiza as bases para os cursos de Jornalismo. Se o relatório passar sem grandes alterações, vai estabelecer outras orientações para os cursos existentes e os a surgir. Mas as proposições não se conformam apenas à graduação. Deve impactar também sobre cursos de pós-graduação. O documento sinaliza, por exemplo, que “a formação de profissionais especializados (…) tem a possibilidade de se estabelecer através de cursos de mestrado profissional, credenciados pela CAPES. Neles, os formados em outras áreas do conhecimento poderão preparar-se para colaborar nas editorias especializadas, atuando como comentaristas, consultores ou planejadores de conteúdo. A especialização de graduados em jornalismo (…) pode também ser garantida em mestrados profissionais”.

A modalidade profissionalizante dos mestrados ainda é uma incógnita para a maioria das áreas de conhecimento no sistema de pós-graduação. Em campos como o da Educação, teme-se, por exemplo, que o surgimento de mestrados do tipo “acabem” com os mestrados acadêmicos, discussão que não tem sentido no Jornalismo. Mas a sinalização da comissão demonstra ousadia não apenas na sugestão deste tipo de pós-graduação, mas abrindo a possibilidade de formados em outras áreas chegarem ao jornalismo por meio de pós, como se dá muitas vezes em outros países.

O relatório é categórico: as mudanças propostas sepultam a idéia de que o Jornalismo seja uma habilitação dos cursos de Comunicação Social, “uma vez que esta, como profissão, não existe, assim como não existe uma profissão genérica de Saúde”. O esforço da comissão não é romper com a grande área de conhecimento da Comunicação, mas apagar o equívoco cristalizado pelas diretrizes atuais. Funciona, mais ou menos, como na Saúde, onde Medicina, Odontologia e Veterinária pertencem à mesma grande área de conhecimento, mas oferecem cursos e profissões específicas. O movimento pelo fim das habilitações já está em franco desenvolvimento, e em 2006 mesmo outro curso da Comunicação – Cinema e Audiovisual – “já foi desmembrado das Diretrizes Curriculares comuns pelo Conselho Nacional da Educação, através da Resolução n­º.10 de 27/06/2006″.

Em seu documento, a comissão faz um extensa e ampla discussão sobre as bases teóricas, históricas e práticas do jornalismo, recorrendo à bibliografia nacional e internacional, demonstrando a evolução do campo e a necessidade de os cursos de formação acompanharem esse ritmo. São apontadas instruções para os projetos pedagógicos dos cursos e salientadas as competências a serem desenvolvidas para o preenchimento de um perfil de formação.

Eixos de formação e duração dos cursos

A proposta prevê que os cursos de Jornalismo se apoiem em seis eixos de formação:

  • Eixo de fundamentação humanística
  • Eixo de fundamentação específica
  • Eixo de fundamentação contextual
  • Eixo de formação profissional
  • Eixo de aplicação processual
  • Eixo de prática laboratorial

A comissão colheu sugestões em pelo menos três audiências públicas com diversos setores da sociedade, direta ou indiretamente interessados na reforma das diretrizes. Penso que o alicerce dos seis eixos contempla todas a gama de proposições, e ajuda a equilibrar a formação oferecida. Os cursos – se tiverem que se adequar a este novo modelo – terão ainda que superar velhas dicotomias como Teoria-Prática e Academia-Mercado. Isso não é um problema da comissão, mas dos cursos, de seus gestores e professores.

Para preservar o equilíbrio entre os eixos, a comissão estabelece equidade nas cargas horárias – em torno de 400 horas para cada eixo -, e ainda reserva 300 horas para os trabalhos de conclusão de curso, mais 200 horas de estágio supervisionado e outras 300 para atividades complementares . Com isso, a comissão alonga o período de formação dos jornalistas. Se até hoje, os cursos devem ter ao menos 2,7 mil horas, se aprovado o relatório, passarão a ter ao menos 3,2 mil horas. Neste sentido, pessoalmente, discordo da comissão, pois não tenho certeza de que aumentar a carga redunde necessariamente numa formação melhor. O próprio MEC já sinaliza que cursos de graduação possam ter três anos, acelerando a chegada dos profissionais no mercado e enxugando ao essencial os conteúdos oferecidos nos cursos. Penso que os cursos de Jornalismo podem ter menos de três anos, e novas oportunidades formativas serão necessárias ao longo da carreira do profissional, cabendo a ele buscá-las para se reciclar e definir especializações.

Positivo, no entanto, é perceber que a comissão sugere que as atividades laboratoriais sejam oferecidas aos alunos já a partir do primeiro semestre, em sequência progressiva, conforme níveis de complexidade e de aprendizagem. Esse aspecto contraria a lógica do velho currículo mínimo que cindia os cursos em módulos teóricos – os primeiros dois anos – e práticos – os restantes. Com essa nova lógica, contempla-se o aluno que recebemos hoje nas escolas, e os contextos atuais de informação e comunicação.

Outro ponto importante do relatório da comissão é o que trata do estágio supervisionado, um tabu na área. Por conta da lei que regulamenta a profissão, os estágios eram considerados irregulares, mas na prática executados sem nenhum acompanhamento ou orientação pedagógica. A comissão estabelece normas gerais para sua execução e traz o estágio como uma etapa de complemento formativa, o que deveria ter sido feito desde sempre…

Aperfeiçoamento dos professores

Duas recomendações finais no documento da comissão de especialistas precisam tambéms ter a anuência do Conselho Nacional de Educação nas novas diretrizes. A primeira sugere a criação de um “Programa Nacional de Aperfeiçoamento Docente destinado às novas gerações de professores de Jornalismo”. Com isso, a comissão chama a atenção para um problema que se descobre apenas no cotidiano da sala de aula: professores, muitas vezes, inseguros e mal preparados para o exercício da docência, com sérios problemas de didática e que se mostram antipedagógicos. Muito bom a comissão ter observado isso.

Um segundo aspecto a ser ressaltado é a “manutenção de uma comissão supervisora das novas diretrizes (…) para garantir a concretização das estratégias” defendidas no documento. Evidentemente, a comissão não quer assistir de camarote à descaracterização do seu trabalho ou mesmo estabelecer regras que não sejam minimamente acompanhadas.

Muito particularmente, penso que o documento da comissão é um relatório que auxilia o MEC a modernizar e reestruturar os cursos de Jornalismo no país. São mais de 300 por aí, muito além da capacidade de absorção de mão-de-obra que o mercado tem. O relatório atualiza as bases, mas penso que dois são os seus calcanhares de Aquiles: o alargamento do tempo de formação e o alicerce dos seis eixos de formação.

O alargamento da formação pode ser um problema numa época em que há pressa para tudo, inclusive para chegar ao mercado de trabalho. A extensão da duração dos cursos pode inclusive “motivar” o apressado a não fazer o curso superior, já que, ao menos por enquanto, não é necessário ter diploma para ter registro. Isso não é um problema para a comissão, mas para as instituições de ensino…

A definição dos seis eixos de formação, por sua vez, é resultado muito mais de um esforço para contemporizar e agregar opiniões divergentes da comunidade do que propriamente o substrato de uma orientação pedagógica, de uma lógica formativa. Tomara que eu esteja errado, mas se não estiver, gestores e professores terão que suar muito para planejar cursos orgânicos e bem definidos. Além do que me parece forçado estabelecer a mesma carga horária para tão diferentes eixos… Tomara que eu esteja vendo fantasmas à toa…

De qualquer maneira, a expectativa agora é pela tramitação do documento no CNE, e pela implementação de novas diretrizes. Volto a repetir: é um momento histórico para a área. E é muito bom estar vivendo tudo isso…





comissão entrega documento das diretrizes ao mec

18 09 2009

Se você acompanha o caso, sabe que a comissão de especialistas entregaria hoje ao ministro Fernando Haddad um relatório propondo bases para novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo. Pois o documento entregue é este aqui.

Se você está por fora, siga por aqui.

Comentarei em breve as proposições…





melhores cursos de jornalismo do brasil

18 09 2009

A revista Imprensa vai fazer circular na edição de outubro a íntegra de seu Guia dos Melhores Cursos de Jornalismo.

Ficou curioso e quer uma prévia?

Clique aqui e veja.





ética jornalística: dois textos para não perder de vista

16 09 2009




evento discute ética, redes sociais e fim do diploma

16 09 2009

associeO Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro promove de 25 a 27 de setembro a 8ª edição do Enjac, o Encontro Nacional de Jornalistas em Assessoria de Comunicação. Na pauta do evento, a decisão do STF contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, a ética profissional e a possibilidade da autoregulamentação, e o uso das redes sociais no jornalismo.

Entre os debatedores confirmados estão:

  • Nelson Vasconcelos, editor do caderno Digital de O Globo
  • Daniel Onida, especialista em twitter
  • Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Fenaj
  • Claudismar Zupirolli, advogado da Fenaj
  • Walter Monteiro, advogado do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio

Participo de uma mesa sobre ética com Washington Mello, assessor do Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, e com Carmen Pereira, integrante da Comissão Nacional de Ética da FenajO evento acontece em Teresópolis, e a organização prevê a participação de 150 profissionais.

Para saber mais, acesse aqui.





educação e redes sociais: escola vai ensinar twitter

2 09 2009

Na sequência do que escrevi aqui, sobre o que professores devem saber sobre redes sociais, acabo de ver que tem universidade que já se preocupa em tornar o uso das mídias sociais em conteúdos de disciplinas. É o caso da Universidade DePaul, em Chicago. É exagero ter uma cadeira específica sobre o microblog mais conhecido do mundo? Não sei, mas a oportunidade poderia ser bem utilizada por muita gente. Já tem quem considere condição de sobrevivência na área ter uma conta no Facebook ou mesmo no Twitter. Aí, sim, é exagero!

PS: A colega Priscila Gonsales lembra: “No EducaRede, já usamos o twitter com alunos e professores na comunidade virtual Minha Terra. Vale conhecer: www.educarede.org.br/minhaterra2009“. Valeu, Priscila, pela dica.





jorge pedro sousa na ufsc

27 08 2009

Se você se interessa por história do jornalismo não pode perder esta:

Estão abertas para alunos de mestrado, graduação e outros interessados as inscrições para a disciplina “Temas Avançados em Fundamentos do Jornalismo” que será ministrada pelo professor visitante Jorge Pedro Sousa, da Universidade Fernando Pessoa e do Centro de Investigação Media e Jornalismo de Portugal. O curso é gratuito, e para fazer a inscrição os interessados devem mandar mensagem de email para posjor@cce.ufsc.br, informando nome completo, cpf e telefone de contato. As vagas são limitadas. As aulas acontecerão das 8h20min às 12 horas a partir da próxima segunda-feira.





o que professores de jornalismo devem saber sobre redes sociais

24 08 2009

Redes sociais precisam ser ensinadas e internalizadas nos cursos de Jornalismo, seja qual for a sua geografia. Existem diversos pesquisadores brasileiros e internacionais que se dedicam a discutir o que deve ser ensinado, de que maneira e qual a melhor forma de fazê-lo. Se você acompanha este blog, sabe que sempre cito Raquel Recuero, Gabriela Zago, Carlos Castilho, Beth Saad e a turma do Intermezzo, Adriana Amaral, Alex Primo, Marcelo Träsel, Jorge Rocha e muitos mais que nem vou me atrever a mencionar ou linkar.

Desta vez, pinço o que pensa Suzanne Yada, estrategista no uso de redes sociais, jornalista e que agora, retorna aos bancos escolares para terminar seu bacharelado na área. Suzanne participou recentemente de um painel durante a convenção da Association for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC), algo como a nossa Intercom.

Para Suzanne, não basta ensinar redes sociais, veja uma síntese do que ela disse aos professores da área:

  • Professors need to not only teach social media, but practice it. It is now their job to understand this.
  • The students are also resistant. Just because they’re young and on Facebook doesn’t mean they know social media.
  • There’s a lesson plan in comparing ethics policies, legal quandaries and best practices of news organizations using social media. Less emphasis on teaching the tools, more on teaching principles.
  • Students who know social media should become TAs or peer teachers, or help organize a bootcamp/BarCamp at school to teach both students and the professors about social media.
  • But, professors, please still keep hammering fundamentals. Don’t get lost in the latest buzzword. Everything taught about social media should point straight back to the basics.

Leia na íntegra aqui.

Uma pergunta incômoda que me faço é: nossas escolas mantêm essas preocupações?

Mas tenho outras: os professores estamos capacitados para esse tipo de ensino? Existem condições objetivas para que nossos cursos ofereçam esses conteúdos programáticos? Avançamos na pesquisa a ponto de já ter uma dimensão do impacto que as redes sociais trazem para o ensino e a formação dos novos jornalistas? E pra ser mais cruel ainda: os alunos podem prescindir dos professores para esse assunto?





meia dúzia de links acadêmicos sobre jornalismo

7 08 2009




vencedores convidam para o prêmio adelmo genro filho 2009

6 08 2009

Faltam quatro dias para o final do prazo de inscrições para o Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo. A premiação da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e está na quarta edição. Podem participar trabalhos apresentados ou defendidos em 2008, nas categorias Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado.

Considerado o prêmio de maior prestígio nacional na área da pesquisa, o PAGF já destacou trabalhos importantes em diversos segmentos de estudo em Jornalismo. O vencedor da categoria Doutorado de 2007, José Afonso da Silva Júnior, destaca o impacto da iniciativa: “O prêmio não é apenas um reconhecimento à qualidade e relevância das pesquisas em jornalismo. Mais que isso, o PAGF se constitui num importante argumento em prol da consolidação do ensino e investigação do jornalismo como área de conhecimento e de apontar para práticas de jornalismo aperfeiçoadas sob o ponto de vista social, profissional é ético no contexto contemporâneo”. Para Zé Afonso, prêmio “demonstra ainda a crescente maturidade da pesquisa realizadas no Brasil que tem o jornalismo como problema. É como um sismógrafo: capaz de registrar a construção de conhecimento em torno do jornalismo e avançar a discussão e aprofundamento dos temas”.

Marcelo Träsel recebeu o PAGF no ano passado. “Foi um importantíssimo reconhecimento pelo trabalho que desenvolvi durante o mestrado. A pesquisa acadêmica é cercada de dúvidas sobre a relevância das questões estudadas e a pertinência das teorias e métodos que usamos. Receber um prêmio de seus colegas é um sinal de que você está no caminho certo. No meu caso, foi um dos principais incentivos para seguir adiante na carreira acadêmica e entrar no doutorado”.

As inscrições para o PAGF 2009 vão até 10 de agosto!

O regulamento está aqui: http://www.sbpjor.org.br/sbpjor/?page_id=421

Veja os vencedores dos anos anteriores:

2006

Iniciação Científica
1º lugar: O cidadão-comum nas páginas do Diário de Santa Maria: uma questão de valores-notícia
Carolina Adolfo De Carvalho (Universidade Federal de Santa Maria)
Orientadora: Dra. Márcia Franz Amaral

Mestrado
1º lugar: O Webjornalismo Audiovisual: uma análise de notícias no UOL News e na TV UERJ Online
Leila Nogueira (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Dr. Elias Machado

Doutorado
1º lugar: Ilustrações: fronteiras entre o Jornalismo e a Arte
Gilmar Adolfo Hermes (Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos)
Orientador: Dr. Ronaldo Henn

2007

Iniciação Científica
1º lugar: O uso da infografia na revista Saúde!
Elaine Aparecida Manini (UFSC)
Orientadora: Tattiana Teixeira

*Menção Honrosa na categoria Iniciação Científica
Título do Trabalho: Nuances de Análise Histórica do Jornalismo: homens, mulheres e a cidade nas páginas do Diário dos Campos (1910-1923)
Felipe Simão Pontes (UEPG)
Orientador: Sérgio Luiz Gadini

Mestrado
1º lugar: A qualidade da informação jornalística: uma análise da cobertura da grande imprensa sobre os transgênicos em 2004
Carina Andrade Benedeti (UnB)
Orientador: Luiz Gonzaga Figueiredo Motta

Doutorado
1º lugar: Uma trajetória em redes: modelos e características operacionais das agências de notícias: modelos e características operacionais das agências de notícias, das origens às redes digitais: com estudo de caso de três agências de notícias
José Afonso da Silva Júnior (Universidade Federal da Bahia)
Orientador: Marcos Silva Palácios

Sênior
Profa. Dra. Christa Berger – Universidade do Vale do Rio dos Sinos

2008

Iniciação Científica
1º lugar: Gabriela Jardim Rocha (PUC-Minas), “Mediações sociais no jornalismo colaborativo”
Orientadora: Geane Alzamora

Menção honrosa: Mariana de Almeida Costa (UFF), “Jornalistas e marginalidade social”
Orientadora: Sylvia Moretzsohn

Mestrado

1º lugar: Marcelo Ruschel Träsel (UFRGS), “A pluralização no webjornalismo participativo”
Orientador: Alex Primo

Menção honrosa: Ana Paula Ferrari Lemos Barros (UnB), “Saúde, sociedade e imprensa”
Orientadora: Dione Moura

Doutorado
1º lugar: Suzana Barbosa (UFBA), “Jornalismo digital em base de dados”
Orientador: Marcos Palacios

Sênior
Marcos Palacios (UFBA)





jornalismo de políticas públicas, um curso

20 07 2009

Estão abertas as inscrições para o curso “Jornalismo de Políticas Públicas Sociais”, promovido pela UFRJ e ANDI. A realização é do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência (NETCCON), da Federal do Rio, e o prazo de inscrição termina em 27 de julho.

O curso é gratuito e fornece certificado. Começa em 3 de agosto, sempre às segundas-feiras pela manhã.

As inscrições pelo link:
http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dHB2TXBxcU9wa09GSFQwYWVEWS1uY2c6MA





escolas de jornalismo e a crise dos jornais

10 07 2009

O professor Larry Atkins, da universidades Temple e Arcadia, publicou ontem um artigo no Knight Digital Media Center com um sugestivo título: Não deixemos de lado as escolas de Jornalismo só porque os jornais estão em crise.

Atkins cita casos como o da Columbia University, que não vem sofrendo com o declínio dos jornais impressos e vem sim atraindo cada vez mais estudantes na sua escola de Jornalismo. “Mas como as escolas e os departamentos de Jornalismo estão acomodando este interesse às realidades em mudança da profissão?”, questiona Atkins. As respostas dadas pelas escolas têm vindo na forma de revisões curriculares, aumento na exigência de trabalhos nas disciplinas, e incentivo ao desenvolvimento de ações empreendedoras.

De acordo com algumas fontes do autor, mais oficinas práticas também estão sendo oferecidas pelos cursos, numa clara tentativa de simular situações reais da profissão. Eventos fora das universidades também têm sido “cobertos” pelos alunos, seguindo a mesma tendência. (O que me parece óbvio, e o que já se vem fazendo em muitas escolas de Jornalismo que conheço no Brasil)

O ensino com base em mídias sociais é também apontada pelo professor Atkins como uma tendência emergente forte nos cursos de Jornalismo norte-americanos.

Mas o que me chamou a atenção é o fato de professores e gestores olharem para fora de seus instituições, muito preocupados com a sobrevivência de seus cursos. Nos Estados Unidos, a queda nas tiragens dos jornais, a migração maciça de verbas publicitárias para outros meios e o vaticínio de que a imprensa está mesmo morrendo são fatores bem fortes que vêm abalando a confiança de quem produz jornalismo, de quem ensina e até de quem consome.

Por aqui, não temos essa crise ainda. Mas o fim da obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo deve precipitar nas escolas preocupações semelhantes, e a busca de diferenciais de formação. Esta história está apenas começando… vamos acompanhar…





me pegaram de surpresa. esses alunos…

9 07 2009

O João Guimarães Rosa, que é um cara que a gente devia ler muito mais, escreveu lá pelo meio do Grande Sertão: Veredas que “professor é quem de repente aprende”. E é. Para além dos convencionais clichês que a gente destila nas salas de aula, se o professor prestar bastante a atenção vai aprender todo dia alguma coisa…

Tenho me esforçado nos últimos dez anos a aprender e a dar algumas aulas. Tenho aprendido muito. Verdade…

Em dez anos de docência no ensino superior, tive diversos desafios, mas nenhum deles se comparou a um que precisei enfrentar este semestre. Não é nenhuma inconfidência o que irei contar, já que o jogo sempre foi muito aberto. Mas o fato é que peguei uma turma mista de alunos de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda para uma disciplina estreante: Temas Contemporâneos – Redes Sociais. O desafio estava tanto no trato com os alunos, na quantidade de sujeitos envolvidos (quase 50!), e na complexidade do tema, em constante mutação…

É preciso dizer que nada foi fácil nesses meses. Em muitos momentos, senti que não conseguia envolver completamente a turma, que muitos sequer reagiram, que não compreendiam a relevância dos conteúdos e práticas para seus futuros profissionais. Tivemos momentos tensos, delicados, quase que desagradáveis. Pela primeira vez na vida, tive que me aconselhar com as coordenadoras dos cursos, com a orientadora pedagógica. Era muita angústia a minha, de tentar convencê-los, chacoalhá-los, envolvê-los.

Mas a vida ensina, e os alunos também.

Não se tratava de uma conversão, mas de um convite à compreensão, de um encontro. A partir dali, o ritmo foi outro, o fluxo seguiu, e fui levado… No final do semestre, verdadeiramente, vi que os alunos haviam criado blogs e comunidades no Orkut, com empenho, lançando mão dos recursos tecnológicos e dos conceitos com os quais trabalhamos. Fiquei satisfeito com a conclusão do semestre, com o trajeto percorrido, com os companheiros de jornada. Fiquei de bem, de novo.

Pensei que tinha terminado assim, num happy end. Que nada!

Hoje, recebo email com um link. Lá, descubro que os alunos de Redes Sociais criaram um blog para se despedirem de mim. Estou em processo de transferência para uma outra instituição e ando afivelando as malas por aqui. Claro que me emocionei com o gesto, com as palavras, com tudo. A demonstração de apreço, o reconhecimento de quem realmente interessa – os alunos, oras! -, tudo isso me fez molhar esse teclado. Sinto-me envaidecido, privilegiado, mimado… tocado. Pensei que poderia me sentir realizado ao avaliar o resultado da disciplina no semestre, e ver que de alguma maneira contribui. Estava errado. Aprendi de novo. A sala de aula não tem mais paredes. E eu aprendo mais e mais…





fim dos diplomas: a moda pegou!

2 07 2009

Deu no Consultor Jurídico:

Requião questiona diploma para oficial de Justiça

Depois de decidir que jornalistas não precisam ter diploma para exercer a profissão, será a vez do Supremo Tribunal Federal resolver se oficiais de Justiça precisam de um curso superior para exercer o ofício. Roberto Requião, governador do Paraná, entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade, no STF, contra a Resolução 48/07 do Conselho Nacional de Justiça. A regra estabelece que os Tribunais de Justiça exijam diploma de curso superior para oficial de Justiça. Para Requião, a Resolução é uma afronta à autonomia e isonomia do poder Judiciário dos estados-membros.

Segundo ele, a determinação “produziria uma subordinação absoluta dos tribunais ao CNJ, violando a autonomia administrativo-orçamentária e mesmo de iniciativa legiferante do Judiciário local”. O governador afirma que seria questionável a competência do CNJ para proibir a nomeação, por meio de concurso público, de oficiais de Justiça que não possuam curso superior.

De acordo com Roberto Requião, “apenas a lei em sentido formal – ato editado pelo poder Legislativo, de iniciativa do poder Judiciário – poderia tratar da matéria”. Nesse sentido, o governador lembra que no Paraná existe a Lei estadual nº 16.023/08, que prevê o ensino médio como suficiente para o exercício da função de oficial de Justiça.

A elevação do requisito mínimo para o cargo, alerta Requião, ocasionaria um acréscimo significativo das despesas orçamentárias no Poder Judiciário do Paraná, “inviável na atualidade, pois inexistem recursos financeiros para suprir essa demanda”.

(Por falar no assunto, o blog Azesquerda publica um contundente artigo do constitucionalista João dos Passos Martins Neto sobre o fim do diploma de jornalismo)





cai o diploma; não caem os registros

30 06 2009

A decisão do Supremo Tribunal Federal que desobriga o diploma de Jornalismo para exercer a profissão – a exemplo de outras sentenças – trouxe mais dúvidas e incertezas do que paz para o campo profissional. Após oito ministros do STF terem votado pela não exigência, havia dois entendimentos distintos para a nova realidade do mercado de trabalho jornalístico:

- A suprema corte decidiu que o decreto 972/69 era totalmente inconstitucional e, por isso, não haveria mais sentido existir registros profissionais para os jornalistas. A profissão estaria totalmente desregulamentada, sem regras de ingresso.

ou

- A suprema corte apenas vetou a obrigatoriedade do diploma. Com isso, ainda seria necessário ter registro para atuar na área, mas ele poderia ser obtido sem o canudo, como milhares de pessoas conseguiram amparadas pela liminar da juíza Carla Rister.

Permaneceu um vácuo jurídico até o final da semana passada. Na sexta, saiu no Diário da Justiça Eletrônico a decisão do STF:

O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu e deu provimento aos recursos extraordinários, declarando a não-recepção do artigo 4º, inciso V, do Decreto-lei nº 972/1969, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Falaram, pelo recorrente, Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo – SERTESP, a Dra. Taís Borja Gasparian; pelo Ministério Público Federal, o Procurador-Geral da República, Dr. Antônio Fernando Barros e Silva de Souza; pelos recorridos, FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e outro, o Dr. João Roberto Egydio Piza Fontes e, pela Advocacia-Geral da União, a Dra. Grace Maria Fernandes Mendonça, Secretária-Geral de Contencioso. Plenário, 17.06.2009.

Com isso, o entendimento que tenho é de que caiu o diploma, mas os registros continuam valendo e sendo necessários para se atuar na área. O trecho da lei considerado inconstitucional é justamente o que define como documento obrigatório para se obter o registro o diploma de Jornalismo. Com o veto ao inciso V do artigo 4º, pode-se correr atrás do registro de jornalista sem o diploma.

Resumo da ópera: cai o diploma, mas o registro permanece como condição de acesso ao mercado de trabalho. Desregulamentação pela metade.

***

Para ver mais sobre a polêmica da queda do diploma, basta acessar a edição desta semana do Observatório da Imprensa, que traz um especial sobre o tema.





das minhas sentimentalidades sobre o diploma

18 06 2009

Relendo meu post anterior e ouvindo a minha esposa – o que deveria fazer mais vezes -, queria tornar mais clara a minha posição sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Mesmo derrubado por uma feroz gripe, ontem, acompanhei atentamente ao julgamento do STF. Tuitei sobre isso. Tentei manter um certo distanciamento do tema, mas no final da sessão, o cansaço e o mal estar (da gripe ou da decisão?), já deixei escapar algumas farpinhas da minha indignação.

Dei aulas ontem à noite e falei com diversos alunos.

Mantive o equilíbrio e hoje cedo, postei uma análise distanciada do tema. Minha esposa leu e se enfureceu: Mas nada te indigna? Nada te tira do sério?

Ela tem razão. Eu deveria falar sobre isso. Mas eu não queria. Abri a caixa postal hoje e vi dezenas, verdade!, dezenas de mensagens destilando raiva, ira, indignação, protesto. Eu não queria engrossar o caldo do fel. Mas por outro lado, não posso falsear meus sentimentos. De decepção, de tristeza, de indignação, de raiva.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Sou professor de Legislação e Ética em Jornalismo há dez anos. Neste tempo todo, falei de regulamentação profissional, insisti na importância de uma profissão ter regras claras de ingresso e funcionamento. E ao falar de leis e regulamentos, eu falava sempre da profissionalidade, das formas de sermos o que somos, quando somos jornalistas.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Entre 2002 e 2005, fui dirigente sindical em Santa Catarina e trabalhei ativamente, escrevendo textos, promovendo eventos, participando de debates sobre a necessidade do diploma, em defesa desta regulamentação, a favor dessas regras.

Tenho razões muito pessoais para me sentir assim. Desde 2001, o meu fazer-pensar acadêmico gira em torno da profissão, da sua ética, e das estruturas nas quais se apóia a profissão jornalística.

Portanto, o investimento pessoal, emocional, de tempo e de energia de quase uma década foi muito grande, penoso mesmo. Não me arrependo. Claro que não. Continuo acreditando no Jornalismo, como algo importante para a sociedade. Continuo acreditando na organização dos profissionais, que se reúnem para defender e ampliar os seus direitos e a sua dignidade. Continuo acreditando que as escolas podem ter um papel crucial na formação de bons, de excelentes jornalistas. Continuo acreditando. Esta fé – que se traduz em pragmatismo, ou em uma certa frieza a olhos distantes -, esta fé aplaca meu descrédito, minha tristeza.





diploma obrigatório caiu, e agora?

18 06 2009

Em dez anos de docência em Jornalismo, poucas vezes senti um clima tão intenso de perplexidade nos corredores da universidade, ontem à noite. Eram pouco mais de sete horas, e os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiam que já não seria mais obrigatório ter diploma para se obter o registro profissional de jornalista. Quer dizer, a corte suprema brasileira desregulamentava uma profissão, derrubando um marco de quarenta anos.

Pelos corredores da universidade, alunos e professores se olhavam num misto de consternação, receio e certa vergonha. Claro que sempre houve a possibilidade de uma decisão como aquela, na medida em que o assunto seria julgado, mas pelo jeito, não era o que se esperava. Um silêncio cúmplice pairava, e o ar frio e pesado da noite envolvia a todos, como numa espécie de transe, transe de velório.

Mas o que eu faço com o meu diploma?

O encerramento da polêmica não faz terminar os questionamentos. Alguns perguntam o que farão com seus diplomas, conseguidos a duras penas. Ora, é preciso ter a clareza do alcance da decisão de ontem. O Supremo julgou a OBRIGATORIEDADE e não a VALIDADE do diploma. Isto é, não é mais preciso juntar o canudo para se conseguir o registro. Quem tem diploma expedido por uma instituição de ensino superior reconhecido pelo MEC continua tendo seu diploma, com validade e (por que não?) orgulho.

Repito: a decisão de ontem não enfraquece nenhum diploma. Enfraquece a categoria, na medida em que desregulamenta, na medida em que flexibiliza as regras para ingresso no mercado de trabalho. Antes, havia uma trava – o diploma -, agora, não há mais.

O que eu faço? Continuo o curso?

Mas claro que sim. Estudar não faz mal a ninguém. Quem faz universidade está investindo na própria formação, na própria qualificação profissional, e isso – com diploma obrigatório ou não – continuará a ser um divisor de águas na contratação de gente no mercado. Isto é, qualquer empregador quer sempre admitir o melhor profissional para a sua empresa. Se ele é melhor qualificado  – porque tem um diploma de jornalismo – do que o concorrente que tem ensino médio ou outro curso universitário, o empregador já sabe o que fazer.

As faculdades de Jornalismo vão fechar?

Difícil prever isso. São muitas, é verdade. Estima-se que mais de 400 pelo país. Talvez algumas não sigam adiante. Talvez nada se altere. Mas vamos ser sinceros: não era o decreto-lei 972/69 que fazia com que hordas de jovens se matriculassem nos cursos de Jornalismo. Era e sempre foi a vontade, o desejo, a expectativa de ser jornalistas. Então, não sei se a curto prazo a coisa deva se mover tanto. Um exemplo: a profissão de publicitário não exige diploma do curso para o seu exercício, e mesmo assim, esses cursos universitários são cada vez mais abundantes e cada vez mais atraentes, sendo dos mais disputados. Outras regras parecem vigorar…

A minha escola vai fechar por causa disso?

Abrir um curso universitário é muito complicado. Fechar também. Depende de muitos fatores, de um trâmite longo no Ministério da Educação, e de outros aspectos, entre os quais o da imagem da instituição de ensino. Nenhuma escola deve se orgulhar de fechar cursos, mas sim de abrir novas turmas. Por isso, um curso não se fecha do dia para a noite, até porque se assim o fizer, será alvo de uma torrente de processos dos alunos que se sentirão prejudicados. Por isso, qualquer precipitação agora é demasiada e desnecessária.

O Supremo agiu certo?

Pessoalmente, acho que os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado.

Mas pra ser bem sincero, decidida a questão pelo STF, de que adianta continuar a argumentar e contra-argumentar, se o tempo não volta. Sou mais pragmático. E é necessário olhar pra frente. A derrota foi dura, mas não é a final.

O Supremo pode voltar atrás?

Não. A decisão está posta. O decreto-lei que regulamentava a profissão foi considerado inconstitucional. Para a Justiça, isso significa que ele é inválido. Logo, qualquer pessoa pode requerer seu registro profissional de jornalista sem o diploma.

Então, não há saída? A coisa acabou?

Mais ou menos. A saída não é pelo Judiciário, mas pelo Legislativo ou pelo Executivo. São eles que podem – por exemplo – formularem projetos de lei para uma nova regulamentação para a profissão. E se esse projeto tramitar no Congresso e se tornar lei, pronto: temos novas regras para a profissão.

A boa notícia é que isso pode estar já em curso. No final do ano passado, o Ministério do Trabalho criou um grupo que iria trabalhar na redação de uma nova regulamentação. Há cerca de um mês, o presidente da Fenaj, Sergio Murillo de Andrade, me disse que a coisa estava em banho-maria, penso que no compasso da decisão do STF. Fechado o capítulo no Judiciário, pela via política, haveria outros caminhos…

O mercado vai ficar pior?

É difícil dizer. Principalmente, num tempo em que é cada vez mais difícil enganar as pessoas. Por conta da internet e da cordilheira de informação que todos temos à disposição, a toda hora, pode-se desmintir qualquer um que queira aplicar um golpe. Fazer jornalismo é cada vez mais difícil. Vai depender de gente cada vez mais qualificada. Para a lei, não vai importar se essa gente terá diploma de Jornalismo ou não. Mas o fato é que nunca na história humana houve tanto interesse por informação e houve tanta informação à disposição. Isso requer tratamento técnico, especializado, adequado. Isso requer triagem, seleção, acuro, qualidade e credibilidade. Jornalistas são ainda muitíssimo necessários. Bons jornalistas são mais necessários ainda.

O jornalismo precisa se reafirmar. E talvez se reiventar. A ausência de diploma obrigatório trará novos componentes no cotidiano das redações, novas formas de atrito e de reacomodação de forças. O jornalismo continuará a ser necessário para as democracias, para a cidadania, para o desenvolvimento humano. Os profissionais que se ocupam disso, que se arriscam diariamente para obter informações, devem se orgulhar por este papel social que cumprem. Devem se orgulhar, mas precisam estar atentos, pois as mudanças são muito rápidas nesta área. Esta instabilidade provoca a vertigem e o deleite.

Para ir mais adiante…

Alec Duarte faz uma equilibrada análise de como fica a formação daqui pra frente. Cesar Valente aponta para dois possíveis caminhos, com a desregulamentação, e opta pelo mais otimista. Alberto Dines avalia que o STF errou tanto na extinção da Lei de Imprensa quanto com o expurgo da necessidade do diploma.