mais 7 mil vagas: já pensou se…

10 09 2009

A Câmara Federal aprovou ontem a proposta de emenda constitucional que cria mais 7 mil vagas de vereador em todo o Brasil. Segundo o G1, 370 deputados votaram a favor e só 32 contra. A PEC foi aprovada em primeiro turno e ainda precisa passar por mais uma votação no plenário. Só depois deve ser promulgada.

Sete mil novos vereadores!!!!

É claro que o Brasil não precisa de mais 7 mil vereadores, e é claro que a maioria dos eleitores seria contra isso, caso fosse ouvido de verdade por seus representantes. Mesmo assim, e talvez tardiamente, fico pensando: a sociedade não precisa de mais sete mil vereadores, porque eles não necessariamente trarão melhores condições de vida, porque não necessariamente responderão mais rápido aos anseios da população. Mas já pensou se, do dia pra noite, criassem…

… mais 7 mil vagas para dentistas no Brasil?

… mais 7 mil vagas para ginecologistas e obstetras para atuar nas periferias e nos sertões?

… mais 7 mil vagas de médicos de família, que visitassem as casas de idosos e enfermos?

… mais 7 mil postos de trabalho para juízes, que desafogariam os tribunais?

… mais 7 mil vagas para engenheiros tocarem e acompanharem obras paradas no país?

… mais 7 mil vagas para paramédicos do Samu?

… mais 7 mil cargos de agitadores culturais e artistas que atuem em bairros e pequenas cidades?

… mais 7 mil vagas para assistentes sociais que atuam junto a comunidades carentes?

… mais 7 mil vagas para professores de educação básica?

Já pensou?





mais uma do azeredo

3 09 2009

Como se já não bastasse o AI-5 Digital, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) continua brindando a Nação com sua expertise em internet e novas tecnologias, com seu bom senso legislador e com sua pertinácia grandiosa: ele é o relator da reforma eleitoral que quer deixar a internet de fora das campanhas. Como se fosse possível recolher grão por grão de areia do deserto…

Com seu brilho e inteligência, o senador considera que internet é como rádio e TV, e devem ser restringidas no uso. Blogs, redes sociais, sites de compartilhamento de vídeos e outras invencionices podem ser letais à democracia. Vai entender assim de comunicação e tecnologia lá no Senado…





sessão da tarde na tv senado…

6 08 2009

Frank Maia, sempre ele, dá o tom da coisa…

frankmascara





fora sarney: um mashup

1 08 2009

A dica me foi passada pelo Palmério Dias. É mais uma versão da já clássica cena de A queda, em que Hitler e seus lacaios estão no bunker, na iminência de serem derrotados. Como sabem, Hitler desespera-se e espalha xingamentos e ira para todos os lados. Já vi diversas versões da cena, sempre legendadas num outro contexto e sempre com muito bom humor. Desta vez, Hitler está no papel de Sarney.





tá feia a situação no morumbi

19 07 2009

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Esses dias, estava pensando: Putz! Faz tempo que não vibro pra valer com o São Paulo. Dois segundos depois, pensei: Na verdade, ultimamente, é só decepção: mandam embora o Muricy, contratam o Ricardo Gomes, o time acumula derrotas, derrapa e não vai pra frente…

Aí, decidi fazer um “Momento PVC”: números e estatísticas do São Paulo Futebol Clube nos seus últimos 15 jogos.

  • De 19 de abril pra cá, foram 15 jogos em três competições: Paulistão, Brasileirão e Libertadores.
  • 7 derrotas, 5 empates e apenas 3 vitórias
  • O São Paulo perdeu a final do Paulistão, foi desclassificado na Libertadores e hoje – antes do jogo com o Santos – está a 1 ponto da zona de rebaixamento no Brasileirão.
  • Antes de enfrentar o Santos – daqui a pouco -, o São Paulo tem 11 pontos acumulados em 11 jogos. Resultado pífio.
  • O São Paulo só venceu duas vezes neste Brasileirão.
  • A campanha é tão ruim que se o time estivesse na Série B estaria em antepenúltimo, prontinho para cair para a terceira divisão. Pior que o São Paulo na Série B só mesmo o ABC e o Campinense, da Paraíba.

Um retrospecto das últimas 15 partidas:

  • 19 de abril: perdeu por 2 a 0 a final do Paulistão para o Corinthians
  • 22 de abril: ganhou por 2 a 1 do América de Cali na Libertadores
  • 10 de maio: perdeu por 1 gol para o Fluminense no Brasileirão
  • 17 de maio: empatou em 2 gols com o Atlético Paranaense
  • 24 de maio: empatou com o Palmeiras num jogo sem gols
  • 27 de maio: perdeu por 2 a 1 para o Cruzeiro na Libertadores
  • 31 de maio: perdeu mais uma vez para o Cruzeiro: 3 a 0
  • 7 de junho: empate sem gols com o Avaí
  • 13 de junho: Santo Antonio não ajudou e o São Paulo empatou com o Santo André em 1 a 1
  • 18 de junho: virou freguês do Cruzeiro e perdeu mais uma. 2 a 0 pros mineiros
  • 21 de junho: perdeu para o Corinthians por 3 a 1
  • 27 de junho: ganhou do Náutico, por 2 a 0
  • 05 de julho: virou freguês do Corinthians. Perdeu de novo, agora por 2 a 0
  • 12 de julho: arrancou um empate em 2 a 2 com o Flamengo
  • 16 de julho: perdeu por 2 a 0 do Atlético Mineiro

Não arrisco prognóstico para o clássico com o peixe daqui a pouco. Mas tomara que não prevaleçam os números. Nem os que eu citei, nem a disparidade entre os dois times. A equipe do Morumbi é devota de um santo só, enquanto que o time da Baixada é plural na santidade, leva vantagem…

ATUALIZAÇÃO: O São Paulo venceu o Santos por 2 a 1. Mas isso não basta. Precisa melhorar muito ainda…





igreja plagia texto sobre ética jornalística

17 07 2009

Como se diz por aí: eu morro e não vejo tudo!

Pois não é que uma igreja foi condenada na justiça pelo uso indevido de um texto sobre ética, ética jornalística?

Reproduzo – com os devidos créditos – matéria que conta o caso tim-tim por tim-tim. O Comunique-se deu ontem a notícia:

A Igreja do Avivamento Mundial – Assembleia de Deus Ministério de Boston foi condenada indenizar em R$ 42.830,59 a jornalista Alessandra Silvério por violação de direitos autorais. Além disso, a igreja terá que publicar, no prazo de cinco dias a partir da data da intimação, erratas em três jornais de grande circulação na cidade de Curitiba (PR), sob pena de multa diária de R$ 1 mil. A igreja perdeu o prazo de constestação e, por isso, não cabe mais recurso.

A ação movida pela jornalista é por causa de plágio de seu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo. O texto foi publicado originalmente em 2003, no site Aruanda. No mesmo ano, o jornal Mensageiro Cristão, de propriedade da igreja, republicou o artigo como se fosse da autoria do editor do veículo. Ironicamente, o texto trata da ética jornalística.

“Ora, a ré se utiliza de trabalho que não lhe pertence e, descaradamente fala em ética profissional”, afirma o juiz Vitor Frederico Kümpel em sua decisão.

O jornal com o texto plagiado foi editado em dezembro de 2003 e distribuído no Brasil e em outros países. Em sua defesa, a igreja alega que não possui ligação com o Ministério de Boston e que não possui revistas, jornais ou sites, argumento que não foi aceito pelo juiz.





o fim dos jornais: em santa catarina

24 06 2009

Muito se fala sobre a crise dos jornais, sobre a queda das tiragens, sobre a migração das verbas publicitárias. Outro dia, tratamos do fim da Gazeta Mercantil, e agora, a blogosfera catarinense fervilha com fotos e vídeos que denunciam a penúria, o descaso, o abandono do espólio de O Estado.

Para quem não sabe, O Estado era o jornal mais antigo de Santa Catarina, um orgulho até décadas atrás. Falido, maltratado, mal administrado, O Estado sucumbiu. Celso Martins, um dos melhores repórteres com que trabalhei, mostra no que se tornou o maior diário dessas terras… triste fim.





diploma obrigatório caiu, e agora?

18 06 2009

Em dez anos de docência em Jornalismo, poucas vezes senti um clima tão intenso de perplexidade nos corredores da universidade, ontem à noite. Eram pouco mais de sete horas, e os ministros do Supremo Tribunal Federal decidiam que já não seria mais obrigatório ter diploma para se obter o registro profissional de jornalista. Quer dizer, a corte suprema brasileira desregulamentava uma profissão, derrubando um marco de quarenta anos.

Pelos corredores da universidade, alunos e professores se olhavam num misto de consternação, receio e certa vergonha. Claro que sempre houve a possibilidade de uma decisão como aquela, na medida em que o assunto seria julgado, mas pelo jeito, não era o que se esperava. Um silêncio cúmplice pairava, e o ar frio e pesado da noite envolvia a todos, como numa espécie de transe, transe de velório.

Mas o que eu faço com o meu diploma?

O encerramento da polêmica não faz terminar os questionamentos. Alguns perguntam o que farão com seus diplomas, conseguidos a duras penas. Ora, é preciso ter a clareza do alcance da decisão de ontem. O Supremo julgou a OBRIGATORIEDADE e não a VALIDADE do diploma. Isto é, não é mais preciso juntar o canudo para se conseguir o registro. Quem tem diploma expedido por uma instituição de ensino superior reconhecido pelo MEC continua tendo seu diploma, com validade e (por que não?) orgulho.

Repito: a decisão de ontem não enfraquece nenhum diploma. Enfraquece a categoria, na medida em que desregulamenta, na medida em que flexibiliza as regras para ingresso no mercado de trabalho. Antes, havia uma trava – o diploma -, agora, não há mais.

O que eu faço? Continuo o curso?

Mas claro que sim. Estudar não faz mal a ninguém. Quem faz universidade está investindo na própria formação, na própria qualificação profissional, e isso – com diploma obrigatório ou não – continuará a ser um divisor de águas na contratação de gente no mercado. Isto é, qualquer empregador quer sempre admitir o melhor profissional para a sua empresa. Se ele é melhor qualificado  – porque tem um diploma de jornalismo – do que o concorrente que tem ensino médio ou outro curso universitário, o empregador já sabe o que fazer.

As faculdades de Jornalismo vão fechar?

Difícil prever isso. São muitas, é verdade. Estima-se que mais de 400 pelo país. Talvez algumas não sigam adiante. Talvez nada se altere. Mas vamos ser sinceros: não era o decreto-lei 972/69 que fazia com que hordas de jovens se matriculassem nos cursos de Jornalismo. Era e sempre foi a vontade, o desejo, a expectativa de ser jornalistas. Então, não sei se a curto prazo a coisa deva se mover tanto. Um exemplo: a profissão de publicitário não exige diploma do curso para o seu exercício, e mesmo assim, esses cursos universitários são cada vez mais abundantes e cada vez mais atraentes, sendo dos mais disputados. Outras regras parecem vigorar…

A minha escola vai fechar por causa disso?

Abrir um curso universitário é muito complicado. Fechar também. Depende de muitos fatores, de um trâmite longo no Ministério da Educação, e de outros aspectos, entre os quais o da imagem da instituição de ensino. Nenhuma escola deve se orgulhar de fechar cursos, mas sim de abrir novas turmas. Por isso, um curso não se fecha do dia para a noite, até porque se assim o fizer, será alvo de uma torrente de processos dos alunos que se sentirão prejudicados. Por isso, qualquer precipitação agora é demasiada e desnecessária.

O Supremo agiu certo?

Pessoalmente, acho que os ministros demonstraram não conhecer a profissão, e que acabaram confundindo um direito amplo com o direito de exercício profissional. Como quem confunde direito à Justiça e direito de atuar como advogado.

Mas pra ser bem sincero, decidida a questão pelo STF, de que adianta continuar a argumentar e contra-argumentar, se o tempo não volta. Sou mais pragmático. E é necessário olhar pra frente. A derrota foi dura, mas não é a final.

O Supremo pode voltar atrás?

Não. A decisão está posta. O decreto-lei que regulamentava a profissão foi considerado inconstitucional. Para a Justiça, isso significa que ele é inválido. Logo, qualquer pessoa pode requerer seu registro profissional de jornalista sem o diploma.

Então, não há saída? A coisa acabou?

Mais ou menos. A saída não é pelo Judiciário, mas pelo Legislativo ou pelo Executivo. São eles que podem – por exemplo – formularem projetos de lei para uma nova regulamentação para a profissão. E se esse projeto tramitar no Congresso e se tornar lei, pronto: temos novas regras para a profissão.

A boa notícia é que isso pode estar já em curso. No final do ano passado, o Ministério do Trabalho criou um grupo que iria trabalhar na redação de uma nova regulamentação. Há cerca de um mês, o presidente da Fenaj, Sergio Murillo de Andrade, me disse que a coisa estava em banho-maria, penso que no compasso da decisão do STF. Fechado o capítulo no Judiciário, pela via política, haveria outros caminhos…

O mercado vai ficar pior?

É difícil dizer. Principalmente, num tempo em que é cada vez mais difícil enganar as pessoas. Por conta da internet e da cordilheira de informação que todos temos à disposição, a toda hora, pode-se desmintir qualquer um que queira aplicar um golpe. Fazer jornalismo é cada vez mais difícil. Vai depender de gente cada vez mais qualificada. Para a lei, não vai importar se essa gente terá diploma de Jornalismo ou não. Mas o fato é que nunca na história humana houve tanto interesse por informação e houve tanta informação à disposição. Isso requer tratamento técnico, especializado, adequado. Isso requer triagem, seleção, acuro, qualidade e credibilidade. Jornalistas são ainda muitíssimo necessários. Bons jornalistas são mais necessários ainda.

O jornalismo precisa se reafirmar. E talvez se reiventar. A ausência de diploma obrigatório trará novos componentes no cotidiano das redações, novas formas de atrito e de reacomodação de forças. O jornalismo continuará a ser necessário para as democracias, para a cidadania, para o desenvolvimento humano. Os profissionais que se ocupam disso, que se arriscam diariamente para obter informações, devem se orgulhar por este papel social que cumprem. Devem se orgulhar, mas precisam estar atentos, pois as mudanças são muito rápidas nesta área. Esta instabilidade provoca a vertigem e o deleite.

Para ir mais adiante…

Alec Duarte faz uma equilibrada análise de como fica a formação daqui pra frente. Cesar Valente aponta para dois possíveis caminhos, com a desregulamentação, e opta pelo mais otimista. Alberto Dines avalia que o STF errou tanto na extinção da Lei de Imprensa quanto com o expurgo da necessidade do diploma.





Britto, por que no te calas?

31 05 2009

Britto Jr acha que apresentar reality show é fazer jornalismo.

Pelo jeito, ele também se acha um Pedro Bial.

Ah, coitado!





agonia da gazeta mercantil: a foto do cadáver?

29 05 2009

Leitor, olhe com atenção a página abaixo. Sim, ela pode ser a capa da última edição da Gazeta Mercantil, jornal que já foi o principal diário dirigido a economia, negócios e finanças no Brasil.

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Conhecido por ser um jornal sisudo na linguagem e no visual, a Gazeta Mercantil resistiu à adoção de cores e à publicação de fotos em suas páginas. Tanto pelo público a que se orienta quanto pelo segmento a que cobre, o jornal muito provavelmente nunca estampou fotos chocantes em suas primeiras páginas. Irônico é ver a página reproduzida abaixo como uma autêntica foto de cadáver, o ponto final de um veículo de comunicação importante, influente, necessário.

Para saber mais da crise na Gazeta Mercantil e como a situação chegou a este ponto, vá por aqui.





dois casos de péssima administração dos negócios em mídia

26 05 2009

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A chamada nova economia tem sido pródiga em mostrar casos de jovens gênios que criam soluções ou inventam necessidades e tornam-se podres de ricos da noite para o dia. Jeff Bezos, Bill Gates, Steve Jobs, a dupla do YouTube, o menino-com-cara-de-bobo-mas-que-de-bobo-não-tem-nada do Facebook, e por aí vai…

Mídia e tecnologia podem dar muito dinheiro sim, mas nas mãos certas.

Esta semana, duas notícias no mercado brasileiro mostram o lado avesso a esse, o dos desastres gerenciais. É falência, é passivo trabalhista, é erro estratégico de investimento, é péssima gestão de negócios. Estou falando da Gazeta Mercantil e dos Bloch, que já tiveram uma das principais revistas nacionais – a Manchete – e uma rede televisiva, de mesmo nome.

Vejam com seus próprios e incrédulos olhos:

Compradora não paga e leilão da Bloch Editores vira novela
(do Comunique-se)

Tanure decide devolver Gazeta Mercantil a Levy
(também do Comunique-se)

Levy diz que não vai assumir Gazeta; CBM afirma que vai colaborar
(ainda do Comunique-se)

Levy anuncia o fim da Gazeta Mercantil
(do Observatório da Imprensa)

 

Enquanto lá fora se queixam da queda das tiragens, da baixa nos negócios, aqui, tem gente que consegue se enforcar sozinha…





a greve de fome de evo morales

12 04 2009

Democracias consolidadas, com instituições sociais funcionando plenamente, com alternância de poder e muita liberdade funcionam assim:

a) O presidente tenta aprovar uma lei no congresso nacional

b) A oposição tranca a pauta, vocifera e impede a votação

c) O presidente reúne suas bases, rearticula as forças, e… faz beicinho

d) A oposição dá de ombros

e) O presidente começa uma greve de fome para forçar a aprovação da lei.

Detalhe: a lei é para permitir eleições gerais este ano, e para que o presidente se reeleja. Legítimo? Inteligente? Maduro? Apelativo?

Na Bolívia, Evo Morales tomou essa importante decisão. Você acha que ele vai morrer de fome? Claro que não. Acha que vai conseguir o que quer? Não sabemos. Mas, convenhamos, é ridículo.

Política não se faz assim, com chantagem emocional, com populismo barato, à base de chá de coca, água e balas.

A última vez que um político sério apelou para o mesmo artifício foi quando Antony Garotinho também fez greve de fome em 2006 em protesto à “perseguição” que sofria da mídia, de opositores e do sistema financeiro. Na época, torci muito por Garotinho. Eu insistia: Não desista! Não coma nada! Não desista! Vá até o fim!!!!





o ano começou!

16 02 2009

Tive uma semana agitadíssima a que passou. Muita correria e trabalho de sobra. Mas mesmo assim sobrevivi bem, afinal era a primeira depois das férias.

Mas a coisa não está fácil não. No intervalo de 24 horas, soube por duas amigas que a coisa está pegando por lá. Uma simplesmente desistiu de enviar artigos para um evento por puro e completo esgotamento mental. A outra, com prazos esgotando, sofre agora de tendinite.

Que mundo é este em que a gente não trabalha pra viver, mas VIVE PRA TRABALHAR???





sapatada: jornalista não pode!

17 12 2008

Eu sei que a cena ajuda a fechar com chave de ouro oito anos de um governo desastrado e desastroso. Eu sei que foi por pouco que Bush não leva uma (com um pouco mais de mira, duas) sapatadas. Sei também que o ato protagonizado pelo jornalista Muntazer al Zaidi foi comemorado por meio mundo porque ilustra com grandiloqüência a desaprovação à administração Bush.

Mas não foi certo.

Não quero polemizar à toa, mas não foi certo.

Jornalista nenhum poderia ter feito aquilo. Por questões óbvias profissionais. Al Zaidi não estava lá para atentar contra Bush, para contradizê-lo, para protestar contra a ofensiva ao seu país. Credenciou-se para a ocasião de participar de uma entrevista coletiva e deveria, isso sim, ter brigado para questionar o presidente norte-americano, para colocá-lo na parede com perguntas indigestas e até mesmo constrangedoras. Al Zaidi não estava lá como um cidadão iraquiano ou de qualquer nacionalidade. Estava numa espécie de pessoa jurídica, na condição de jornalista, de representante de um determinado veículo de comunicação, e como tal, deveria atuar dentro das quatro linhas desse jogo.

Sei que a quase-sapatada gerou um estado de euforia em muita gente. Claro que ele em si já é uma piada, e ocasionou até jogos online, onde as pessoas se desestressam acertando o presidente. Al Zaidi traz à tona uma vontade nem tão secreta de milhões, quem sabe, bilhões de pessoas de punir um governante tão despreparado, inábil e irresponsável. Mas o papel dos jornalistas está em fiscalizar os poderes, denunciar abusos, investigar, perfilar personagens, contar histórias. Ao perder a paciência ou o controle, Al Zaidi deixou seu posto de jornalista, pulou o balcão e juntou-se aos cidadãos anônimos que não têm as obrigações e deveres que o jornalismo nos impõe. Não é um lugar ruim, mas o ethos é outro.

Al Zaidi deixou de contar a história para tornar-se personagem dela. Do ponto de vista da catarse coletiva de ferrar Bush, valeu. Do ponto de vista da ética profissional dos jornalistas, não vale. Com isso, foi preso, espancado e deve responder por processo que deve lhe render prisão. As entidades que lutam pelo direito de expressão fazem protestos contra as agressões por ele sofridas, o que é natural e esperado.

Fico pensando se ele tivesse acertado o alvo. De uma certa forma, acertou: deu ao mundo a última cena de um governo ruim para os Estados Unidos, para o mundo e para a nossa história.





virou uma questão moral

16 12 2008

A denúncia pela TV de que voluntários estariam furtando donativos dos flagelados das enchentes em Blumenau foi aterradora. Um escândalo mesmo. Vergonhoso, indignante, preocupante. Repercute em tudo o que é lugar e o constrangimento é indisfarçável.

O que era um fato coberto por números expressivos e histórias trágicas e comoventes tornou-se um episódio coberto por questões morais. O que está mais aflorado agora é a discussão sobre a conduta das pessoas, sua honestidade, a sinceridade com a qual se disponibilizam como voluntários, o caráter que lhes sustenta a alma. Fala-se de mau exemplo, de minoria de aproveitadores, de falta de educação. Mas qualquer discussão sobre a conduta humana é complexa demais para ser resumida a um punhado de palavras.

Claro que é odioso ver pessoas rapinando como abutres roupas e alimentos, muitas vezes cedidos por quem pouco tem. Claro que gera uma indignação mortal ao assistirmos o escárnio, o prevalecimento e o oportunismo dos chacais, fardados ou à paisana.

Mas é preciso lembrar que uma tragédia como a que se abateu sobre os catarinenses revela o que há de melhor e pior no ser humano. Não é fatalismo da minha parte, nem ceticismo. É só a preocupação de mais um diante de sinais quase inequívocos de nossa falência moral, do ocaso dos valores, da frouxidão das virtudes. Fazer o bem sem ver a quem tornou-se um ditado bonitinho, clichê desgastado que até rima. Doar-se, dar-se, oferecer-se e resistir às tentações que a vida nos impõe a toda hora é que é difícil.





lições de neocolonialismo na compra de camisa

13 12 2008

Duas coisas me irritam muito quando vou comprar roupas:

  • etiquetas que viram estampas
  • estampas escritas em inglês

Eu explico.

Você vai a uma loja, observa a vitrine, escaneia o mostruário todo, fuça, mexe, pergunta para os atendentes, e sai da loja aborrecido quando só tem camisas com a logomarca dos fabricantes. Não é uma estampa bonita, uma padronagem interessante, o bom gosto ou qualquer coisa do tipo.  É a marca mesmo, o carimbo da indústria têxtil. Outro dia, num shopping qualquer, fui atraído por uma faixa que anunciava 50% de desconto em toda a loja. Corri pra lá.

Olhei todas as camisas em exibição na vitrine e nas araras. Todas as peças, eu disse todas tinham o carimbo da Beagle na frente e algumas atrás também. Pela metade do preço, as camisas – que nem eram bonitas – custavam em média 35 reais. Isso. Você paga 35 reais para desfilar por aí, fazendo propaganda da camisaria.

Detesto isso.

É odioso também quando você só encontra camisas com dizeres em inglês. Tem de tudo. Tem frases idiotas, slogans sem nenhum sentido, até mesmo expressões escritas de forma errada. Claro! Estamos no Brasil, e aqui todos somos fluentes em inglês. Conjugamos o verbo To Be na concepção, quando o espermatozóide meets o óvulo. É o começo da vida, quer dizer, da life.

Um tremendo colonianismo, uma besteira de achar chique vestir roupas que dizem besteiras num idioma que não é o nosso! Por que não fazem também em grego, em mandarim, em farsi ou no alfabeto cirílico? Já que pouca gente entende mesmo, e a idéia não é comunicar, mas enfeitar…

Pior que isso é quando a gente encontra roupas com dizeres em português, mas com erros de ortografia e pontuação. Hoje, numa outra loja, encontrei a camisa abaixo, que fiz questão de fotografar…

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Só pra constar: faltam duas vírgulas.

Só pra constar: descida, o substantivo ligado ao verbo descer, é com sc. Decidir é optar. E, claro, eu decidi não levar a camisa…





a crise americana e nós

30 09 2008

Ando perdendo muito dinheiro com a crise de confiança nos mercados.
Mas não vou me queixar neste blog. Vou mesmo é matar meu consultor de finanças…

Só quatro numerinhos:

1. O governo Bush quer repassar US$ 700 bilhões pro setor financeiro.

2. O rombo, na verdade, é maior, segundo comentário de Joelmir Betting, ontem na Band: US$ 1,5 trilhão.

3. O PIB brasileiro em 2007 foi de R$ 2,6 trilhões, o que convertido em dólar (câmbio de hoje) daria perto de US$ 1,4 trilhão.

Isto é, o governo Bush quer transferir meio PIB do Brasil pros bancos.
É ou não é um bom negócio ser banqueiro em qualquer parte do mundo?





um sindicato que começa demitindo

27 09 2008

Eu prometi a mim mesmo não mexer mais neste assunto, tão desgastante para mim quanto desagradável para quem passa por aqui. Mas não posso me conter. (Se o leitor ou a leitora não quiserem saber sobre as minhas queixas sobre a atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, por favor, virem a página e retornem num próximo post…)

Mas se o leitor ou a leitora permaneceram até aqui, devem saber também que me manifestei em outras ocasiões (aqui) sobre o processo eleitoral que culminou com a reeleição da atual diretoria do SJSC. Devem saber ainda que fui vice-presidente na gestão 2002-2005 (e por 11 meses presidente de fato, mas não de direito). Assinei um manifesto em que diversos importantes profissionais clamavam por transparência na sucessão da entidade e pelo seu não-uso partidário. Com isso, me indispus com algumas pessoas a quem respeito. E aí não quis mais tocar no assunto, levar a vida adiante porque ela é mais.

O que me motiva agora é um email que recebi ontem, mas que só abri hoje. Um email de Luciana Simas, que foi secretária do SJSC por 15 anos. Na mensagem, cortês, sem ressentimentos e com tons esperançosos por novos e melhores dias, Luciana informa que foi demitida do SJSC. Que a atual diretoria rescindiu sem contrato, dispensando-a – inclusive – do aviso prévio. Na mensagem, Luciana agradece a associados e outros colegas pelos anos de convivência e aprendizado e deseja sucesso à nova diretoria. Sim, porque hoje, toma posse a nova diretoria do sindicato. Não tão nova, é verdade.

Acho sintomático o que aconteceu. É simbólico, é marcante e me coloca muitas dúvidas sobre os rumos e a condução que se pode dar a uma entidade como o Sindicato dos Jornalistas. É claro que ninguém é eterno em seu posto de trabalho. É claro que qualquer diretoria pode admitir ou desligar funcionários. Mas é claro também que fico muito ressabiado sobre quais teriam sido os motivos que levaram os diretores a tomar uma decisão como essa. Perseguição? Retaliação?

Conheço Luciana. Trabalhei com ela. Fui testemunha da sua dedicação e da sua inegável presença e importância no funcionamento cotidiano do sindicato. Ela sempre foi uma pessoa importante na entidade, acompanhou as gestões de Sergio Murillo, as de Luis Fernando Assunção e um mandato de Rubens Lunge. Conhecia o sindicato e a sua rotina como ninguém. E é mesmo uma pena que tenha sido descartada assim.

Meu amigo, Dauro Veras tem uma visão abençoada de demissões: elas nos fazem aprender sobre o desapego, por exemplo. Ele diz isso ao comentar a dispensa de Luciana.

Tomara. Desejo que Luciana encontre melhores oportunidades e seja reconhecida pela profissional que é: séria, compromissada e leal.

Mas não resisto a somar os termos de uma equação que já foi cantada anteriormente. A demissão de Luciana não é apenas um fato burocrático, técnico. Ele faz parte de um projeto político da cúpula que hoje dirige o sindicato. Vocês devem se lembrar que houve racha para a composição da chapa que disputaria a eleição. Os diretores que queriam permanecer romperam com “os colegas das antigas”. Não dialogaram, não quiseram compor uma chapa, fazendo questão de exigir postos na Executiva, como mandava o partido. A dispensa de Luciana é um gesto que se soma, pois caracteriza mais um corte, mais uma separação de águas com o passado, com as gestões anteriores, com a tradição, com a história. A administração que agora começa não quer se parecer em nada com as antecessoras.

Uma nova gestão começa hoje no sindicato. Uma nova diretoria toma posse. E ela já começa bem: demitindo. Para uma entidade que defende os interesses dos trabalhadores já é um grande começo.

ATUALIZAÇÃO: Mylene Margarida também comentou o assunto em seu blog: Aqui.





corrupção: veja um infográfico feito de lama

16 08 2008

Compra de votos. Desvio de verbas. Favorecimento de empresas. Compra de consciências. Compra de mandatos. Roubo de dinheiro público. CPIs fajutas. Negócios escusos. Relações promíscuas entre funcionários públicos e empresas. Conflito de interesses. Relacionamentos espúrios. Condutas condenáveis. Interesses abjetos.

O UOL preparou um esclarecedor (e triste) infográfico sobre os principais escândalos políticos do Brasil desde a redemocratização em meados dos anos 80. Veja aqui.





daniel dantas e um roteiro cinematográfico para o país

15 07 2008

Nos anos 90, tivemos oportunidades sensacionais para acompanhar em tempo real uma saga com tons semelhantes aos maiores filmes de gângster, com pitadas de suspense, lances inesperados, crime e mortes.

O presidente estava enredado numa teia de corrupção. Até o pescoço. Seu tesoureiro de campanha, uma eminência parda no governo, era o homem de frente nos negócios escusos. O presidente foi denunciado pelo irmão, enciumado. Sim, o presidente teria avançado sobre a cunhada. O presidente foi impedido de governar, renunciou, deixou o governo. Morreu a esposa do tesoureiro. A mãe do presidente entrou em coma. O irmão-delator morreu de um câncer devastador. O presidente saiu de cena. O tesoureiro foi encontrado morto com a namorada, na cama. Sangue, corrupção, ganância…

De lá pra cá, tivemos escândalos ruidosos também, e o Mensalão trouxe o enredo mais megalomaníaco. Tinha como protagonistas um ministro influente e um deputado-falastrão. Abalou o Planalto, derrubou bastante gente, mas a República se refez.

Agora, com os acontecimentos das últimas semanas, temos um filme que parece ser um verdadeiro arrasa-quarteirão. A prisão de um banqueiro com ligações estreitíssimas com o Parlamento, com camadas do Executivo e com todos os demais focos do poder trouxe à tona um enredo não totalmente desconhecido, mas não menos surpreendente pelo teor de enxofre e uréia que exala. Foi preso e foi solto pelo STF. Foi preso novamente, e mais uma vez solto pela corte maior do país. Um jornalista contou que – na segunda vez em que estava com os federais em interrogatório -, o banqueiro ameaçou contar tudo, entregar todos. Curiosamente, o STF deu novo habeas corpus, isto é, aceitou a chantagem. Com isso, deflagrou uma crise no próprio Judiciário. Ontem, 400 – eu disse, quatrocentos – procuradores e juízes manifestaram-se publicamente contra o presidente do Supremo, dando apoio ao magistrado que pediu a prisão por duas vezes do milionário. Agora, parcelas do Judiciário no sul e sudeste do país cogitam pedir o impedimento do presidente do STF.

Na mídia, foi dito mais de uma vez que estamos assistindo a colonoscopia do Brasil, que mergulhamos nos intestinos do país. Justamente lá, onde encontramos a alma e as fezes.

Já temos um novo filme para o país. Não tão novo, é verdade. Mas o fedor é fresco, e como embrulha o estômago!