objetividade e ensino de jornalismo: novos livros

23 11 2009

A Série Jornalismo a Rigor, editada pela Insular com iniciativa do Programa de Mestrado em Jornalismo da UFSC, lança este mês mais dois importantes títulos no mercado: Jornalismo, conhecimento e objetividade: além do espelho e das construções e A Escola de Jornalismo: a opinião pública.

O primeiro é assinado pela jornalista Liriam Sponholz, e traz uma versão de sua tese de doutorado junto à Universidade de Leipzig, na Alemanha. Retornando ao debate sobre a objetividade – tão caro ao jornalismo -, a autora conclui, entre outros aspectos, que “um jornalismo mais objetivo é possível, mas as suas chances parecem ser poucas.”

Segundo apresentação da obra, a “polarização entre duas visões do jornalismo – de um lado como espelho da realidade, de outro como construção ideológica – tem ajudado pouco na solução do problema fundamental da objetividade que, indiferente a esta tomada de partido, continua a orientar a prática dos jornalistas e de seus públicos na produção e no consumo diário de notícias”.

A Escola de Jornalismo – a opinião pública, segundo lançamento anunciado, é um clássico assinado por Joseph Pulitzer, lendário editor do The World e apontado, na década de 40, pela Associação Norteamericana de Editores de Jornais como “o maior jornalista de todos os tempos”. Seu nome até hoje é reverenciado no mercado e na academia, e Pulitzer se tornou a maior distinção da profissão nos Estados Unidos.
Na obra – em edição bilíngue, com tradução de Jorge e Eduardo Meditsch -, Pulitzer faz uma incisiva defesa do ensino superio específico em jornalismo, o que ajudou a alterar o conceito da indústria jornalística e da sociedade sobre a profissão.

Segundo a apresentação do livro, Pulitzer “via a sua  reputação arranhada pelo envolvimento nas encarniçadas batalhas pela audiência que fizeram a má fama do jornalismo marrom (lá yellow journalism), e decidiu associar o seu nome a iniciativas mais nobres: doou milhões de dólares para a criação da primeira faculdade de jornalismo dos Estados Unidos (que afinal foi a segunda, em Columbia) e a instituição de um prêmio anual ‘para encorajar e distinguir a excelência no jornalismo’. Em 1904, já cego, Pulitzer ditou este texto em resposta aos críticos de seu projeto: ao defender a Escola de Jornalismo, estabelece também os cânones modernos da profissão e produz um clássico da sua teoria normativa”.
Os dois livros têm lançamento previsto para o dia 26, quinta-feira, em meio ao 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, em São Paulo.





aniversariantes

16 11 2009

Para brindar os nativos deste dia, lembro dois ilustres aniversariantes. Primeiro, Diana Krall que parece modelo, americana, cantora pop; mas é loura-com-voz-de-negra, pianista, jazzista e canadense. Depois, José Saramago, que aos 87 não para de martelar o seu teclado e a inspirar quem segue as suas linhas.


Diana Krall canta a clássica The Look of Love, em um envolvente arranjo com orquestra.


José Saramago se emociona ao final da versão cinematográfica de Ensaio sobre a Cegueira.





gêneros jornalísticos: livro grátis!

12 11 2009

Minha amiga Lia Seixas acaba de lançar Redefinindo os gêneros jornalísticos: proposta de novos critérios de classificação, livro baseado em sua tese de doutorado e que chega agora em dois formatos: impresso e online. Se você não dispensa o papel, acesse aqui. Mas se quiser descarregar no seu computador a versão em bits, clique aqui.

Veja uma sinopse:

Aprender a fazer jornalismo é aprender a produzir gêneros jornalísticos. O conhecimento mais profundo dos elementos que constituem os tipos mais frequentes de composições discursivas da atividade jornalística pode implicar em maior conhecimento sobre a própria prática. Isso significa conhecimento sobre as competências empregadas para a realização da atividade, desde a produção à publicação do produto. Com as novas mídias, surgem novos formatos, se hibridizam, se embaralham os gêneros. A noção de gênero entra, mais uma vez, em cheque. Por isso mesmo passa a ser vista com mais atenção. Alguns gêneros podem acabar, outros podem aparecer. Alguns se transformam, outros se mantêm. Com as novas mídias, as práticas discursivas passam a experimentar e produzir novos formatos, que podem se instituir ou não em novos gêneros.





lançamento de livro

9 11 2009

Meu amigo Mario Fernandes, um dos responsáveis pela obra, manda o convite:

Terça, amanhã, 10 de novembro
Às 19 horas
Na Assembléia Legislativa de SC, em Florianópolis

Convite Livro(Clique para ampliar)





comunicação multimídia: livro grátis!

15 09 2009

Anunciei aqui que a professora Maria José Baldessar – minha amiga Zeca – lançaria junto com demais autores o livro por ela organizado. O lançamento se deu no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Intercom, em Curitiba, no começo do mês. “Comunicação Multimídia: objeto de reflexão no cenário do século XXI” é um e-book que reúne onze textos abordando do Marketing ao Jornalismo, da Cibercultura à Convergência de Meios, entre tantos assuntos.

Veja o sumário a seguir, e se for do interesse, baixe o livro gratuitamente aqui:

  • A Comunicação e o Marketing na Cibercultura
  • Tecnologias da informação e da comunicação como suporte à publicidade na era digital
  • Construção da legitimação institucional na internet: as marcas identitárias como (de)marcações de estratégias comunicacionais explicativas
  • A midiatização nos sindicatos: reflexões sobre visibilidade, tipos de interação e participação na Internet
  • O amor e o capital emocional no processo de construção e consumo de uma marca na internet: A lovemark Mary Jane
  • O Capital Cultural e o Poder dos Aplicativos Sociais: o Plurk Como Estudo de Caso
  • Jornalista x cidadão-repórter: a contribuição do público no fazer jornalístico
  • O documentário na Internet: um estudo de caso, Nação Palmares
  • A Interação e a Convergência dos Meios na Comunicação: exemplos de mensuração e vigilância de mercado
  • Indústria Cultural, Indústria Fonográfica, Tecnologia e Cibercultura
  • Imbricações Tecnológicas: O ‘entre-lugar’ do corpo em movimento




quer lançar livros na sbpjor?

11 09 2009

Se você é autor de livros na área do jornalismo, este recado é para você e foi mandado pela diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor):

Os autores que desejarem divulgar seus livros no 7º Encontro da SBPJor (www.sbpjor.org.br/evento/) devem entrar em contato com a profa. Gisele Sayeg Nunes Ferreira(7sbpjorlivros@gmail.com). O encontro acontece de 25 a 27 de novembro na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e os lançamentos serão no dia 25 de novembro, a partir das 20:30 horas. Poderão indicar obras para participar da sessão todos os autores inscritos no 7o Encontro da SBPJor e que tenham produzido livros e periódicos científicos sobre jornalismo, bem como publicações na área de comunicação cuja temática seja ao menos parcialmente sobre jornalismo. As publicações devem ter data de 2009. Também serão aceitas obras de 2008, desde que não tenham sido lançadas no 6o Encontro SBPJor. Os interessados devem enviar à profa. Gisele, até o dia 25 de outubro, um texto com 1) nome do(a/s) autor(a/es) 2) editora 3) resumo de aproximadamente cinco linhas sobre a obra e 4) imagem da capa em JPG (não muito pesada), para divulgação junto ao material recebido pelos congressistas. A possibilidade de lançamento está condicionada à inscrição do autor no 7o Encontro da SBPJor.





antes do 7 de setembro, 7 links

5 09 2009

Enquanto não vem o feriado, compartilho algumas paradas obrigatórias da web na semana…

  • Sérgio Dávila entrevista Chris Anderson, o editor da Wired e autor de Free, livro que discute a economia da gratuidade: aqui.
  • Carlos Castilho, do Código Aberto, escreve sobre auto-regulação, um tema que exige maturidade, consciência e equilíbrio: aqui.
  • Porque as mídias sociais precisam de profissionais éticos. Jason Falls escreve sobre o tema, aqui.
  • C.W. Anderson trata do futuro das notícias em quatro dimensões. Leia aqui.
  • Cibereconomia, uma rede social para difundir a cultura da inovação. Entre aqui.
  • Um dia por dentro do Jornal Nacional, matéria do G1 sobre o lançamento do livro “Jornal Nacional: Modo de Fazer”, de William Bonner. Aqui.
  • Mediactive, o site de Dan Gillmor que pretende criar um guia para democratizar a mídia: aqui.




jornalismo e academia: dois sites, um livro e um evento

4 09 2009

conviteRápido e rasteiro:

1. O Monitor de Mídia está com a edição 152 na rede. Destaques para reportagens sobre a Semana Estado de Jornalismo e sobre o perfil do novo profissional da área. Aqui.

2. Nem parece, mas ela já é quarentona: a internet. O Cotidiano, revista multimídia da UFSC, celebra quatro décadas da rede mundial de computadores. Aqui.

3. Maria José Baldessar e mais 17 autores lançam amanhã no Congresso da Intercom que acontece em Curitiba o livro “Comunicação Multimídia: objeto de reflexão no cenário do século 21″. Logo, logo, falarei mais disso por aqui.

4. De 21 a 25 de setembro próximos acontece a 8ª Semana do Jornalismo da UFSC. O evento é todo organizado e concebido por alunos, e sempre traz as melhores cabeças da área no país. Este ano tem Marcelo Rubens Paiva, Sergio Villas Boas, Kléster Cavalcanti… Aqui.





em tempos de gripe a, como atua a mídia?

29 07 2009

Vivemos dias complicados para os governos e as redações, né mesmo?

Imagine que diante da pandemia de gripe A, os administradores públicos precisam informar a população, convencer o cidadão comum a adotar procedimentos de segurança e ainda repassar novidades aos agentes de saúde, por exemplo. A imprensa, por sua vez, também tem um papel estratégico nesta situação: disseminar massivamente as informações que realmente interessam, atualizar o noticiário, acompanhar os movimentos dos governos para ver se as melhores políticas públicas de saúde estão sendo adotadas… E o enrosco é justamente este: Como informar sem alarmar? Como comunicar com fidelidade as circunstâncias que compõem a realidade sem causar histeria coletiva? Que cuidados se deve tomar nessas condições?

Não é fácil.

Por isso, já falei aqui de uma publicação da ANDI sobre Jornalismo Preventivo e Cobertura de Situações de Risco. Mas volto a falar da Agência de Notícias dos Direitos da Infância, uma das ONGs que mais se preocupa com o jornalismo voltado ao desenvolvimento e às políticas públicas sociais. Desta vez, lembro que a ANDI disponibilizou mais uma publicação, agora uma análise sobre como a mídia tratou a dengue e a febre amarela. O livro está em formato PDF, o arquivo tem 3,1 mega,  e é uma sequência de “Jornalismo Preventivo”…”. Baixe aqui.





ah, esse lobo antunes…

25 07 2009

Lobo Antunes é um desses homens que não têm cara de escritor. Se a gente não o conhece, capaz de esbarrar na fila da padaria e nem pedir desculpas direito. É um desses homens com cara envernizada, com olhares fundos que lembram aos olhos cegos de Jorge Luis Borges, com voz de trovão de palestrante estrangeiro.

Há quem diga que é o maior escritor vivo da Língua Portuguesa. Há quem diga ainda que o Nobel de Literatura está a lhe cair no colo logo-logo.

Li apenas um livro dele e me encantei: Os cus do Judas. Comprei outros tantos que me atiram súplicas de leitura todos os dias, quando percorro as estantes de livros de casa. Conhecimento do Inferno está lá. Fado Alexandrino também. Exortação aos Crocodilos, cujo título adoro e que comprei por uma ninharia numa livraria de aeroporto, sorri malicioso para mim. Esses livros me espreitam como lobos… Enquanto não os enfrento, ouço o sujeito que os escreveu…

- em conversa com Humberto Werneck, na Flip deste ano…

- falando sobre O Arquipélago da Insônia, livro recente…

-





um raio x da mídia catarinense em 8 anos

21 07 2009

Continua o bazar de livros gratuitos sobre jornalismo na internet!

Hoje, coloco à disposição dois e-books organizados pela equipe do Monitor de Mídia. Os volumes reúnem todos os diagnósticos sobre a mídia catarinense desde 2001. São mais de 600 páginas de análise e de interpretação dos padrões que caracterizam os meios de comunicação locais. Uma rica fonte de consulta para pesquisadores do jornalismo, mesmo para quem está em outras localidades…

Diagnósticos da Imprensa: as 100 primeiras análises
411 páginas
Tamanho do arquivo: 1,6 Mega – Baixar já!

Diagnósticos da Imprensa: edições 101 a 150
223 páginas
Tamanho do arquivo: 6 Megas – Baixar aqui!





100 blogs para estudantes de jornalismo e mais

1 07 2009

Se você é estudante de Jornalismo, jornalista ou se interessa pela coisa, conheça uma lista de 100 melhores blogs sobre o assunto. A lista é ampla, mas limitada a endereços da blogosfera em inglês. Mas vale conferir e favoritar.

Veja aqui.

Se você é estudante de Jornalismo, jornalista, se interessa pela coisa e já leu o Jornalismo 2.0, do Mark Briggs, fique atento. Segundo o autor, está no forno uma edição reloaded do livro. Mas ele avisa: o livro só passará a circular daqui a quatro meses. Enquanto isso, ele vai dar umas palhinhas no seu blog…





literatura e redes sociais

28 06 2009

A literatura é mesmo um rio. Não dá pra aprisionar. Você estanca, ela busca formas de se desviar dos entraves. Você tenta deter as águas, mas ela contorna, se espessa, rompe e se espalha.

Esta semana, vi que dois dos caras mais conectados que conheço estão fazendo vazar suas prosas pelas redes sociais. Fernando Arteche começou a publicar trechos de um “suposto livro” na forma de posts em seu blog, Os trabalhos e os dias. André Lemos anunciou que vai adaptar um livro inacabado -  chamado “Reviravolta” – para o twitter. Ele mesmo conta: “História de viagem, na e fora da rede. Posts todo sábado, com o marcador &. Para seguir é so apontar para http://twitter.com/andrelemos

A literatura é mesmo um rio…





monitor de mídia: 5 livros de graça

14 06 2009

O Monitor de Mídia está prestes a completar oito anos de observação dos meios de comunicação catarinenses. Está em produção a 150ª edição deste projeto que criei na Univali em 2001. Neste tempo todo, dezenas de alunos passaram por lá e trabalharam com um corpo dedicado de professores, gerando muito, mas muito conteúdo sobre a mídia catarinense. Praticamente, tudo o que se produziu está no site, mas pra facilitar, separei aqui cinco e-books organizados pela equipe.

Baixe! Leia! Compartilhe!

Diagnósticos da Imprensa: as 100 primeiras análises
411 páginas
Tamanho do arquivo: 1,6 Mega – Baixar já!

Ética e Mercado no jornalismo catarinense
152 páginas
Tamanho do arquivo: 4,46 Mega – Baixar já!

Jornalismo: a tela, a lousa e a quadra
128 páginas
Tamanho do arquivo: 2,2 Mega – Baixar já!

Jornalismo: Olhares de dentro e de fora
141 páginas
Tamanho do arquivo: 4,1 Mega – Baixar já!

Glossário de Termos Científicos
39 páginas
Tamanho do arquivo: 1,4 Mega – Baixar já!





uma entrevista com raquel recuero

13 06 2009

raquel2Raquel Recuero é um dos principais nomes brasileiros na pesquisa sobre redes sociais. Recentemente, lançou o livro “Redes Sociais na Internet”, que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que se interessam pelo assunto. O livro pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download. Na entrevista a seguir, Raquel fala um pouco mais sobre o tema. Confira…

Seu livro chega às bancas agora, justamente num momento em que as redes sociais são mais faladas do que nunca. Até mesmo os mais resistentes têm aderido a elas, como é o caso dos poderes centrais, dos governos. Esta semana, por exemplo, o Ministério do Trabalho e Emprego “entrou” no Twitter, e já está no Orkut desde o ano passado. De que maneira, os governos podem se valer das redes sociais? E como o cidadão pode se beneficiar com isso?
Penso que esses espaços na Internet contêm o potencial de ser extremamente democráticos, pois permitem um contato mais direto entre os governos e instituições e os cidadãos. Claro que isso depende do modo como o espaço é usado, mas de um modo geral, acho que essas redes podem prover espaços de debate e feedback para os cidadãos e espaços de informação e debate direto com a sociedade para os governos.

Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema.  As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.

No início deste ano, você lançou junto com Adriana Amaral e Sandra Montardo o livro “Blogs.com”, em formato de e-book e rapidamente absorvido pelos leitores brasileiros como uma importante sistematização da produção científica nacional sobre o tema. “Redes Sociais na internet” é seu primeiro livro autoral, embora você seja uma pesquisadora bastante produtiva. Ele não é propriamente a adaptação de sua tese de doutorado, não é mesmo? E por que você resistiu em lançar a tese antes?
É em parte uma adaptação da minha tese, em parte uma aplicação dela. O fato de não ter sido lançado antes foi menos por escolha e mais pelo tempo para adaptar aquilo que eu tinha escrito e as minhas pesquisas posteriores. A tese, em si, é meio “pesada”, tem muitos dados, muitas coisas que não entraram no livro para deixá-lo mais acessível. Claro que todo esse processo exigiu uma adaptação maior e um tempo maior para conseguir terminá-lo. :-)

Pode-se notar que o Brasil vem criando um núcleo bem consistente de pesquisadores sobre cibercultura. Os esforços podem ser sentidos em diversos pólos regionais, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Que avaliação você faz desse cenário em construção? E como situa a produção científica brasileira nessa área?
Eu acho que é muito importante que a gente entenda como a sociedade brasileira vem apropriando o ciberespaço e vem criando novas práticas de identidade, participação e discussão. Essas práticas vão impactar a nossa sociedade offline cada vez mais fortemente. Por conta disso, acho extremamente saudável que novos grupos comecem a discutir essas questões, a pensá-las e a focar sua produção nessa compreensão. Quanto mais soubermos sobre esses impactos, melhor proveito poderemos tirar deles para a própria sociedade e melhor conseguiremos minimizar seus aspectos negativos. Espero assim que, no futuro, tenhamos mais grupos pesquisando essas questões em mais universidades e regiões do Brasil. :-)

obamanofacebookPessoalmente, tenho a impressão de que os pesquisadores que estudam tecnologia e interfaces tecnológicas têm desafios sobressalentes no seu trabalho. Não apenas pela complexidade de seus objetos, mas pela fugacidade e volatilidade de temas e preocupações. Parece que esses cientistas estão sempre tentando trocar o pneu de um carro em movimento. Isso é só uma impressão minha? Ou ampliando: que outros desafios se apresentam para quem pesquisa tecnologia?
Hahahahaha Acho que é uma ótima analogia, mas penso que é o desafio de todo o cientista social. A sociedade é mutante, está sempre re-significando os processos culturais. É preciso ter claro que quase sempre temos, como resultado, um “retrato”de um determinado grupo em um determinado momento. Mas uma seqüência de imagens estáticas também pode ajudar a entender melhor a dinâmica, o movimento desses grupos. Por isso acho muito importante a continuidade dos estudos, sua comparação com outros trabalhos e sobretudo, o debate. São grandes desafios, precisamos de mais incentivo e mais pesquisadores para poder dar conta deles, especialmente em um país continental como o Brasil.

Já há uma agenda de lançamentos de “Redes Sociais na Internet”? E mais: após esse livro, quais são seus próximos estudos e projetos?
Estou trabalhando em um projeto com mais duas pesquisadoras, a Adriana Amaral e a Suely Fragoso em um livro focado em métodos de pesquisa para dados do ciberespaço. E estou também trabalhando em um projeto de estudo da conversação mediada pelo computador, tentando entender como a língua é utilizada e mudada no ciberespaço e como isso reflete os aspectos sociais da apropriação. Acho que são esses os atuais. :-)





sobre livros e sobre amigos

2 06 2009

livro_raquelGosto de livros. Adorar torrar dinheiro com livros. Eles são caixinhas máginas, passaportes para tempos e lugares. Nos ensinam, nos divertem, nos ajudam a entender a vida e a nós mesmos. Tenho – como já disse Caetano – um “amor táctil” pelos livros. É bom de pegar, de ouvir as páginas farfalhando quando se folheia. Alguns têm um cheiro de coisa nova, capas lindíssimas, volumes preciosos.

Mais do que comprar livros, adoro ganhar.

Nas últimas semanas, de repente, ganhei quatro. E todos de amigos, o que só torna a ocasião mais especial ainda.

Pedro de Souza me deu um exemplar do recentíssimo “O trajeto da voz na ordem do discurso”, que publicou pela RG Editora. O livro reúne textos resultantes da passagem de Pedro pelos arquivos de Michel Foucault, na França, ano passado. A pesquisa se debruça sobre a voz do pensador francês em registros de áudio de entrevistas, aulas e conferências, e o interesse de Pedro é identificar elementos que apontem para a elaboração de um pensamento no ato da proferição, no momento da irrupção da voz. Se o tema do discurso é um tanto diáfano, a articulação entre discurso, pensamento e voz constrói pontes da espessura de bolhas de sabão…

franz_adelmoMarcia Franz Amaral – por meio de uma aluna – me presentou com “A contribuição de Adelmo Genro Filho”, livro que organizou e que faz uma revisão da obra do professor e jornalista que primeiro pensou numa teoria do jornalismo no país. Entre os autores do livro estão Elias Machado e Tattiana Teixeira. A obra foi lançada em 2007, quando foram celebrados vinte anos da edição de “Segredo da Pirâmide: para uma teoria marxista do jornalismo”.

Raquel Recuero me manda o seu fresquíssimo “Redes sociais na internet”, livro que deve se tornar uma referência obrigatória para aqueles que pesquisam o assunto no país. Em breve, Raquel falará neste blog sobre seu livro e sobre a pesquisa brasileira em cibercultura. Aliás, o livro físico deve contar com suporte de um site próprio logo-logo, inclusive com a possibilidade de algum download. Livros rimam com generosidade.

charles essPor falar nisso, recebi hoje pelo correio outro título que já pulou a fila das leituras: “Digital Media Ethics”, de Charles Ess. Quem me mandou foi o Fernando Firmino, a quem sequer conheço pessoalmente, mas a quem respeito e sigo nas pesquisas que ele realiza. Foi assim: alguém mencionou no Twitter que haveria uma discussão sobre o livro, e – atrevido – sugeri que postassem algo sobre isso. Fernando me escreveu em seguida, oferecendo cópia sobressalente do livro. Fiquei surpreso, positivamente surpreso. Afinal, a gente nem sempre espera ataques de generosidade e demonstrações desinteressadas de amizade.

Pois a rede é mesmo misteriosa. Aproxima as pessoas, reencontra, fortalece laços. Estimula a leitura, o diálogo, o dissenso. Reedita a possibilidade de ler o mundo e a vida. Alguém já disse que um bom livro é o melhor amigo. Não. Livros são boas companhias, sim, mas amigos são insuperáveis…





convergência midiática e mudanças na profissão de jornalista

27 03 2009

Curto e grosso para dois links:

Converge Magazine é uma revista eletrônica brasileira que trata de transição de mídia, convergência e tecnologia. Na verdade, é um clipping de notícias, e pode ser adquirido por assinaturas.

Manuel Pinto disponibiliza em e-book gratuito as atas do seminário que realizou na Universidade do Minho e que tratou das mudanças na formação de jornalistas com as novas tecnologias. Baixe o livro aqui e leia, por exemplo, a conferência de Jane B.Singer.





realidade regional em comunicação: o livro

25 03 2009

Clóvis Reis me avisa que o livro “Realidade Regional em Comunicação” acaba de sair. O volume, organizado por ele, reúne capítulos que tratam das origens e perspectivas da comunicação em Santa Catarina. O lançamento é da Edifurb, tem 156 páginas e custa R$ 28,00.





coleção de livros quer sistematizar teoria brasileira do jornalismo

16 03 2009

O Mestrado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e a Editora Insular acabam de lançar “Jornalismo, fatos e interesses”, de Wilson Gomes, livro que inaugura a série Jornalismo a Rigor.

A série tem propósitos ousados. “Objetiva publicar reflexões acadêmicas de alto nível que contribuam para elevar o senso crítico e a qualidade da prática do Jornalismo como atividade intelectual” e “procura assim ajudar na superação do complexo de inferioridade de uma área que se deixou colonizar intelectualmente”, afirma o diretor da série, Eduardo Medistch. Os livros da série tendem a se fixar em aspectos conceituais, rompendo a dicotomia teoria-prática na medida em que se põem a enxergar a prática jornalística de uma outra maneira, com o intuito de transformá-la.

“Jornalismo, fatos e interesses” abre o caminho, e os editores pretendem lançar três ou quatro volumes a cada ano, atualizando a bibliografia brasileira sobre o jornalismo e apontando novos patamares para a discussão teórica. Autores internacionais também podem ser publicados, não se descarta. Os livros são voltados prioritariamente ao público acadêmico – alunos e professores da graduação e pós-graduação -, mas os títulos são extensivos também aos profissionais das redações que se dispõem a pensar a atividade.

O próximo volume será sobre padrões de qualidade no jornalismo, assinado por Carina Benedetti e com previsão de lançamento em maio no 12º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo, que acontece em Belo Horizonte (MG). Outros títulos já estão no forno, informa o diretor da série Eduardo Meditsch.





notas de férias, porque elas estão no fim

27 01 2009

Eu sei que talvez este post nem interesse à meia dúzia de meus leitores fiéis, mas isso aqui é um blog, né? O que significa dizer que também é um bloco de notas, um amontoado de registros cibernéticos…

Nesses dias de férias, não subi o Everest, não cacei tubarões no Pacífico Sul nem desmascarei agentes secretos da ABIN, inflitrados nos meus lugares de convívio social. Eu disse estar de férias, e essas coisas eu só faço quando estou mesmo a trabalho. Mas pra não dizer que minhas férias foram modorrentas, vi uns filminhos, li uns livrinhos, coloquei as correspondências em dia, joguei uns joguinhos e peguei muita praia. Já escrevi alguma coisinha sobre isso aqui, mas ofereço outro aperitivo:

(*) Neuromancer, o livro de William Gibson, é uma experiência impactante. Há pelo menos 15 anos eu queria lê-lo, desde que li Johnny Mnemonic, conto do mesmo autor e que gerou um filme homônimo com Keanu Reeves no papel-título. Lembro que a extinta revista General trouxe o conto encartado numa edição, num formatinho pocket, que arranquei de um amigo meu. Desde então, quis ler mais William Gibson, e só pude agora, numa edição comemorativa dos 25 anos do lançamento (e que traz um posfácio da amiga Adriana Amaral). Neuromancer é um choque no uso da linguagem, na capacidade imaginativa de se conceber pirações cibertrônicas, na intensidade narrativa e na capacidade de se manter em pé. (Nem Case deve ter vislumbrado ir tão longe…)

(*) Já escrevi aqui outras vezes: sim, sou um retardado. Só essa semana assisti a Onde os fracos não têm vez, que levou quatro Oscar ano passado. É um filme melancólico, vertiginoso, atordoante. Daqueles em que a gente passa por uma cena e ainda se pergunta se aquilo mesmo aconteceu ou se os diretores – no caso, os irmáos Cohen – estão aplicando algum golpe na platéia. Que nada! Não tem golpe. Tem cinema de sobra, de gente grande. Cinema que mostra que a vida é mais complicada do que os faroestes antigos mostravam.

(*) House voltou com a quinta temporada. O primeiro episódio – painless – é legalzinho, mas fraco para ser um abre. Se você não viu ainda, calma. Não há mudanças no hospital. Cudy continua tentando adotar um bebê + Kutner e Taub continuam sustentando a escada dos demais + Thirteen e Foreman não foram além daquele beijo + Wilson e Cameron quase nem deram o ar de sua graça + House salvou o dia.

(*) Já Lost está eletrizante. Os dois primeiros episódios vêm em grande forma, com mistérios, conexões improváveis e sacadas de roteiro inacreditáveis. Pra ser sincero, já nem esperava muito da série. Sabe por quê? Os produtores não têm pena da gente. Fazem 11 ou 12 episódios e depois ficam meses hibernando, e nisso, a nossa curiosidade provoca enfartos, surtos de histeria, etc… A série voltou tão boa que até tornei a ler spoilers

(*) Descobri uma nova poeta: Ana Elisa Ribeiro. Jorge Rocha, o ExuCaveiraCover, seu marido, me mandou Fresta por onde olhar, livro da moça que é muito bom. Confesso: tenho o maior preconceito com poetas e livros de poesia. Antes de me espancarem, eu explico: é que parece que todo o mundo escreve poesia ou sabe fazer isso. Então, a gente vê de tudo por aí, e o pior é o que impera. Tem pretensão, tem espalhafato, tem forçação de rima. Com Ana Elisa Ribeiro, não vi nada disso. Existe maturidade, existe bossa e malícia, e existe uma grande intimidade com as palavras.

(*) Bolt – o super-cão é surpreendente. Pra ser uma animação da Disney, vi pouquíssima mídia sobre ele. Mas o resultado é muito bom, muito divertido e tal. Assisti com uma criança de quatro anos e foi ela quem me arrastou pra fora da sala do cinema quando subiam os letreiros. Wall-E é melhor, mas não faz mal. Bolt tem bons diálogos, e uma excelente dublagem brasileira. Maria Clara Gueiros está ótima na voz da gatinha Mittens.

(*) Rygar – The Legendary Adventures é bonzinho, mas seus gráficos perdem muito para os jogos atuais do PlayStation. A história é bobinha: um gladiador com amnésia tem que salvar uma princesa sequestrada. Para isso, transita entre cinco ou seis mundos diferentes, enfrentando seres mitológicos dos mais diversos. O jogo é fácil, sem grandes evoluções. Tanto é que eu consegui zerar sem roubar (lendo detonados na internet…).

As férias não terminaram, e isso não é um balanço. É mesmo um sintoma de que estou aproveitando melhor os dias e as noites. Semana que vem retorno ao trabalho, não sem uma ponta de remorso. Pronto, falei!