contando com o ovo lá…
14 11 2009Comentários : Deixar um comentário »
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é hoje mas é amanhã também
13 11 2009Sim, hoje é sexta-feira, 13.
Mas Jason aparecerá amanhã, quando o Tricolor for enfrentar o Vitória, cujo nome anda meio incongruente…

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o jornalismo cava a própria cova
28 10 2009Jorge Rocha Neto alimenta uma tese polêmica: para ele, o jornalismo morreu. É bem verdade que Rocha Neto não seja o único a soprar tal trombeta, mas seu timbre é particularmente interessante. Provocador, não é à toa que na internet assine como Exu Caveira Cover e cuspa labaredas para quase todos os lados…
Seu vaticínio mais parece uma praga. Afinal, esse Exu é jornalista e professor da área, o que pode soar como alguém que também cuspa no próprio prato. Que nada! Essa aparente contradição e as raízes do seu raciocínio são explicados pelo diabo em pessoa na entrevista – feita em dois tempos por email – a seguir.
Você mantém
um blog cujo mote principal é a morte do jornalismo. O jornalismo morreu mesmo? Quando e como foi que isso aconteceu?
É preciso frisar ainda que o blog tem como subtítulo “imprimatur de exucaveiracover”. Se pensarmos esse blog como um terreiro virtual, a entidade que incorpora naquele espaço pode ser chamada de gravekeeper, uma sutil sacanagem com o termo gatekeeper – é, eu estou explicando a piada, pode me apedrejar. Há todo um estado de espírito mórbido ali para tratar do jornalismo, porque acredito que esta é a única forma de lidar com este tema sin perder la envergadura. Não pretendo, seja aqui ou acolá, precisar a data da morte do jornalismo, porque se trata de um rigor mortis sui generis, pois é espasmódico e faz confundir estertores com sobrevida.
A prática jornalística a que me refiro é a dos jornalões, é uma tentativa de emular Brás Cubas, cuja condição de morto lhe permitia analisar livremente a si mesmo e as histórias que viveu e acompanhou. No entanto, falta um élan post mortem a esta prática para chegar a estas vias de fato e há corpos de vantagens em quesitos falcatruescos. Se o Fantasma é o espírito-que-anda, o jornalismo é o cadáver-que-escarnece. Seja da sua própria condição, seja do trato com a opinião pública, seja da realidade que faz contorcer em espasmos de entranhas, seja da audiência, ao tentar solapar-lhe nacos de cidadania em sucessivas mordidas de zumbi. Permita-me ser generalista uma vez na vida: o atestado de óbito é diário nas páginas de jornais e revistas, na telinha da TV e nas ondas sonoras dos rádios. Não é redundância ou exagero, desde sempre me defendo: o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova. E, no caso brasileiro, dessas buraqueiras, tal como lírios na lama, surgem iniciativas como o Blog da Petrobrás – há lições e lições a tirar daquilo lá para quem sublima a raivinha besta sentida no momento da sua criação –, o Crônicas de uma catástrofe anunciada e o Cloaca News, só para citar alguns exemplos, porque não estou aqui para fazer elogios.
O fim do jornalismo significa o fim dos jornalistas também?
Eu defendo a ideia de que o jornalismo, conforme apresentado anteriormente, permaneça como está: morto. E enterrado. Assumir a persona de gravekeeper tem lá seu grau de seriedade, pode apostar. O jornalismo é uma prática social, um
a necessidade inerente à sociedade, e não algo que preste apenas a ser alimentado por dossiês, manipulado por lobistas ou atrelado tão somente a “interesses empresariais”.
Antes que detratores esfreguem as patinhas e venham me chamar de defensor de um jornalismo romântico – como já ouvi diversas vezes, assim como a frase “você é muito radical” –, adianto que sou purista apenas em relação ao uísque que bebo. É claro que entendo a correlação de forças que se aplicam ao jornalismo, convivo com elas mesmo estando fora de redação – por escolha própria e posteriormente por acordo mútuo entre mim e a “barriga da besta”. Enquanto aquilo que é chamado de “pensamento empresarial” dos grandes meios de comunicação servir apenas para atochar gagballs até o palato no jornalismo, encobrindo a safanagem com o epíteto de quarto poder, sem entender que – até mesmo em termos empresariais – é um tiro na cabeça sustentar esse modelo por mais décadas, ficamos todos na lesma lerda. Eu prefiro engrossar as fileiras daqueles que fazem coro com Erik Neveu.
Para o tiozinho, a prática jornalística é um “ofício de fronteira” – sendo que o termo “fronteira” tem aqui muito mais a conotação de pontos de contato do que de barreiras alfandegárias. Neveu considera, e eu prefiro acreditar que compartilho essa crença, que essa forma de lidar com o conceito de fronteira tem que orientar o jornalismo a pensar sua própria natureza como algo ligado à anexação de outras atividades, concatenadas até mesmo – pasme, filisteu! – aos novos meios de comunicação. Fora disso, meu caro, não há vida. E este é o momento em que eu puxo Armand Mattelart pelo braço e deixo que ele diga – uma vez mais – que a comunicação prioritariamente deve corresponder às mudanças percebidas nas relações entre emissor e receptor e no contexto histórico, além de prestar atenção às reconfigurações relacionadas às tecnologias.
O jornalismo a que me refiro como morto é justamente esse que não observa esses pontos e os jornalistas que regurgitam este cadáver nada mais são do que zumbis. Como fã de George Romero que sou, acredito que a solução mais prática é acertar-lhes a cabeça.
Em caso afirmativo, alguém sentirá falta de um ou do outro?
A mesma falta que um corpo morto sente falta dos vermes que se alimentam dele.
No caso de o fim do jornalismo não significar o fim dos jornalistas, o que os jornalistas vão fazer então???
Não sei de outro tempo no qual a figura do jornalista foi mais necessária. Mesmo com toda essa conversa de crise no/do jornalismo que a própria mídia alavanca e faz com que as empresas jornalísticas reajam a esse mal demitindo jornalistas. É o típico ato de cuidar das caspas cortando a cabeça – e você achando que eu é que sou o psicótico nessa história. Mas essa necessidade da qual estou falando é a de um tipo de jornalista que não se locupleta com o “fazer corpo mole” em uma redação. Porque, além de um certo atravancamento no pensamento das empresas de comunicação – dá vontade de rir quando escrevo “empresas de comunicação” – há jornalistas que se contentam em praticar e repetir o mantra “fazer-o-arroz-com-feijão-tá-muito-bão”, que se contentam em fingir de morto para evitar problemas. Tenho raiva desse tipo de profissional e escrevo isso tranquilamente, porque nunca escondi esse sentimento.
Para piorar esse quadro, cabe dizer que parte dos jornalistas que admiro está morta ou fora das redações. Mas respiro aliviado ao ver que ainda salvação – substancialmente fora da “barriga da besta” mas que pode ser transplantada para dentro. De novo: é um jogo político, de enfrentamento e correlação de forças. Como todo e qualquer setor da vida social.
Entendo o seu raciocínio, mas você não teme ser rotulado de “polemista de papel”, de “provocador bem acomodado”, de crítico da academia que se diverte ao atirar pedras no mercado? E de que maneira, sua posição pode não ser vista dessa maneira?
Ah, essa é uma armadilha para rato pequeno e nela eu não tropeço. E é até relativamente fácil de desarmar. Sigam a bolinha, crianças. 1) Só para citar um exemplo fácil, fatos como a família Sarney controlar os meios de comunicação no estado do Maranhão – esta incógnita –, conforme está bem listado no Donos da Mídia, prescindem que eu esteja ou não em uma redação de jornal para compreender a importância política de uma capitania hereditária midiática como essa e criticá-la. E estas capitanias loteiam o Brasil de ponta a ponta, Estado a Estado, cidade a cidade – e dá-lhe síndrome do pequeno poder; você consegue calcular o estrago disso tudo? Isso acontece já a olhos vistos, passível de ser observado por jornalistas nas redações, professores em salas de aula e até mesmo por marcianos rondando o céu de brigadeiro do Brasil.
Fazer tal crítica é algo necessário, independente de onde se esteja, observando a relação promíscua entre – vá lá – poderes constituídos, os arrolhos metidos no jornalismo por conta de conchavos políticos ou a concordância à subserviência para garantir o uísque das crianças. Você pode até não ter espaço para publicizar essa observação/opinião no veículo em que trabalha, mas isso não o tolhe de entender a roda dentada e saber como manifestar seu ponto de vista – de novo, é um jogo político. 2) Acha que minhas considerações são duras por que estou em uma posição confortável, fora de uma redação? Bobagem. Eu nunca escondi minha opinião acerca do jornalismo mesmo quando estava na redação e assim como todo jornalista, passei por maus bocados, como alguns que pontuei aqui. Mas são histórias que prefiro não contar em uma entrevista. Como acadêmico, eu tomo muito mais cuidado com o que digo: em redação eu era muito, mas muito pior.
Mercado e academia podem dialogar na direção de um jornalismo melhor? Como pode se dar esse encontro?
Eu me pergunto a quem interessa esse diálogo. De um lado, há acadêmicos que torcem o nariz à simples menção da palavra “mercado”, de outro, empresários de mídia – e seus “jornalistas representantes”, todos covers de William Bonner e/ou Pedro Bial – que apregoam treinar jornalistas para o mercado. Ambas as proposições estão incorretas, uma vez que estão centradas meramente na ideia de contentar ou não o mercado, essa entidade apocalíptica.
Sim, falta aí uma visão macro, menos dualista, menos passional. É justamente por esse aspecto de “deslumbramento por um treinamento ninja” que não aprecio os cursos de Jornalismo da Abril e afins – e também não é de hoje que eu falo isso –, porque essa é uma visão reducionista às pampas. No meio desse melelê todo, ficam os estudantes de Jornalismo como baratas tontas, muitas vezes acreditando que essa é a única métrica confiável. Claro, não se pode negar a existência das – aham – necessidades mercadológicas, nem mesmo como atitude filosófica, porque o jornalista vai enfrentá-las, isso é estupidamente óbvio. Para um jornalismo melhor, como você classificou, no que tange as duas partes citadas, é preciso que ambos os lados cedam em algumas de suas particularidades: que as empresas de comunicação estimulem e mantenham espaços editoriais para a aplicação de conhecimentos adquiridos na academia – técnicos, teóricos e humanistas – e que as instituições de ensino tenham condições de equipar os estudantes com um cabedal de informações que formem o caráter dessa moçada. Chamo atenção à essa última parte especificamente, dizendo que não se aprende Ética na redação – entendi isso da pior forma possível. Parece discurso de político, não? E é.
Para finalizar, se o jornalismo é o cadáver que cava a própria cova, quando ele finalmente descansar, quem jogará a última pá de cal sobre o finado?
Espero sinceramente que não seja o Caio Túlio Costa.
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william bonner e o fosso entre academia e mercado
22 10 2009Tempos atrás, a visita de um profissional a uma universidade seria um episódio restrito apenas a quem o presenciasse. Por mais ruidosa que fosse a passagem, alunos e professores discutiriam nos corredores, e o fato seria armazenado na memória de quem o testemunhasse. Bem, eu disse “tempos atrás”. Hoje é diferente, e as muitas possibilidades tecnológicas de compartilhamento de informação, conhecimento e experiência soterram qualquer tentativa de esquecimento voluntário.
Acontecimento recente ajuda a ilustrar essa nossa obsessão por lembrar: no início do mês, o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional William Bonner palestrou na Universidade de Brasília e causou ranger de dentes com as críticas que fez aos cursos de Jornalismo brasileiros. Segundo relatou a professora Zélia Adghirni, publicado originalmente no Observatório da Imprensa, Bonner disse que as escolas de Jornalismo “não servem para formar jornalistas” e que elas “deveriam se preocupar mais com o ensino de Português e História. Para o resto, a universidade serve apenas como experiência de vida”. Conforme conta a professora, o editor-chefe foi categórico em afirmar que “jornalismo se aprende no mercado”, e que nem mesmo técnicas de redação e ética profissional seriam bem oferecidas nesses momentos de formação.
Bonner, contextualiza a professora Zélia, disse tudo isso, após a já esperada pergunta de estudantes acerca do fim da obrigatoriedade do diploma para a área. O auditório da UnB estava lotada, e fora dele, um telão retransmitia a palestra do jornalista. Ainda segundo o relato da professora, Bonner teria dito que “em seis meses, eu pego um estudante e faço dele um editor na Globo”, transformação que poderia fazer de um taxista em jornalista.
Como eu disse, a passagem de Bonner pela UnB – por ocasião da turnê de lançamento de seu livro “Jornal Nacional – Modo de Fazer” – provocou ranger de dentes, que não ficaram apenas nos longos corredores da Universidade de Brasília, mas se espalharam feito rastilho de pólvora na blogosfera e em listas eletrônicas de professores e alunos.
O fosso
Não, eu não estava na palestra de Bonner. Mas confio no relato da professora Zélia, a quem conheço e respeito. E a julgar pelo teor do que foi dito, a passagem foi desastrosa. Não porque eu não concorde com o jornalista, afinal isso pouco interessa. Mas porque declarações como aquelas só fazem aprofundar e alargar um abismo entre academia e mercado, entre universidade e empresas. Aliás, é histórica a existência desse fosso separando duas instâncias que poderiam muito bem dialogar mais. Há muito tempo, assisto a demonstrações mútuas de ojeriza. Há anos, vejo gente na academia torcendo o nariz para o mercado, e gente do mercado bufando diante de professores da área. Não é, portanto, meramente ilustrativo o que digo sobre um fosso. Ele existe, e perdura e, ciclicamente, se expande.
Por contraste geológico, o desprezo manifesto por Bonner pela formação oferecida nas escolas é só a ponta do iceberg de uma relação de estranhamento que não contribui para o avanço do jornalismo profissional nem para os processos formativos de repórteres, editores e redatores. Isto é, ninguém ganha com isso. O mercado não se beneficia com os debates, as pesquisas, as soluções encontradas na academia, e esta se alija do que acontece no mundo competitivo, cruel, real e complexo a que as empresas estão habituadas. O setor produtivo não dialoga com o mundo da reflexão. A massa pensante tapa os ouvidos para a gente que faz. Claro que estou me apegando aos rótulos que se impuseram esses lados da equação, mas não estou muito longe do que influentes e importantes setores pensam acerca de si e de outrem.
O fato é que temos uma zona de atrito entre academia e mercado que – de forma muito prática – interessa a poucos. Interessa a quem se imagina como o centro do mundo, como quem está indisposto ao diálogo e à construção de caminhos.
Saídas?
Não defendo um pacto artificial entre as partes, nem ao menos a capitulação de suas posições. A academia não precisa pensar como o mercado, mas não pode ignorá-lo. Também não é prudente ou recomendável que as empresas, por sua vez, dêem de ombros para o que se pensa e se produz nas escolas. Se os cursos de Jornalismo estão ruins, é preciso encontrar maneiras de aperfeiçoá-los, se os produtos jornalísticos têm qualidade duvidosa, deve-se perseguir parâmetros melhores, refletindo sobre a prática, sobre rotinas produtivas, fluxos informativos, procedimentos operacionais, adoção de novas tecnologias…
São bem-vindas iniciativas como o da Globo Universidade, de aproximar seus quadros profissionais e empresas às escolas. Bem como é oportuna a criação de cátedras específicas, como a Cátedra RBS da UFSC. Repórteres, redatores, produtores, editores precisam transitar pelas universidades, palestrando ou fazendo cursos. Professores e alunos devem fazer visitas técnicas nas empresas, onde se pode colher dados para estudos de caso. Isto é, as saídas para a redução do fosso entre academia e mercado passam incontornavelmente pelo diálogo e pela disposição. Em outros países, a tensão empresas-universidade é menor, e o encaminhamento dos recém-formados aos postos de trabalho é um processo natural, não-traumático.
O manual e Homer
A academia se gaba de querer pensar criticamente as práticas do mercado. Que continue a fazê-lo, mas que também ofereça exemplos práticos de como aperfeiçoar processos e produtos jornalísticos. Isto é, que as práticas laboratoriais sirvam não apenas para reproduzir comodamente o que vem dando certo por aí, mas também simulem os desafios para a busca da experimentação e inovação, e contribuam para habituar os alunos a um ritmo profissional de produção.
O mercado alardeia que recebe jovens profissionais despreparados e que os “salva” na correria do dia-a-dia. Isso não é totalmente verdadeiro, e nos casos em que é, as empresas podem contribuir para que os cursos sejam melhores. Alguns grupos empresariais oferecem cursos internos de formação que muito se assemelham a períodos de treinamento e adestramento. Na ânsia de preparar seus quadros, as empresas formatam, engessam, restringem. Ultimamente, na mesma direção, tem sido lançados livros que atuam como suporte a esses cursos. “Jornalismo Diário”, de Ana Estela de Sousa, é um exemplo disso. O livro – que tem suas qualidades – segue a mesma receita já empregada pela Folha de S.Paulo em seu Manual de Redação: sabemos fazer jornalismo e só nós sabemos. Por isso, sigam as nossas regras e você estará fazendo jornalismo.
Isso não é dito literalmente, mas a leitura do volume permite entrever o quanto se despreza a academia e as linhas que guiam os cursos acadêmicos. Articulado ao programa interno de formação, do qual a autora é responsável, o livro é outra forma do monólogo que aprofunda a fissura entre academia e mercado.
O livro de William Bonner não é endereçado a estudantes de Jornalismo ou a professores. O timbre didático que ele assume do começo ao fim sinaliza que seu público é maior, na direção da audiência do telejornal mesmo. A preocupação com explicações técnicas é tão grande que o leitor pode se constranger pela rasura de alguns trechos. Como se o leitor fosse Homer Simpson. A comparação é minha, mas não é gratuita. Em 2005, Bonner se viu envolvido num incidente que ajudou a macular sua imagem, pois teria comparado o telespectador médio do JN ao personagem do desenho animado. A aproximação foi “denunciada” pelo professor Laurindo Lalo Leal e causou ressentimentos de parte a parte. Bonner alegou ter sido mal interpretado.
No final de “Jornal Nacional – Modo de Fazer”, o autor vai à forra e desenterra o assunto para um acerto de contas com Lalo Leal. Sob o pretexto de tratar da clareza como um valor a ser perseguido no telejornal, Bonner conta a sua versão do incidente e contrapõe, inclusive, declarações de colegas do professor para contestá-lo. Bonner não segura o rancor, e mesmo que em poucas páginas – e como na UnB – alarga ainda mais o fosso entre academia e mercado.
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compacto do chat no ciclo comunicar tecnologia…
6 10 2009Participei hoje à tarde de um chat no Ciclo Comunicar Tecnologia, que o pessoal do Nós da Comunicação está tão profissionalmente promovendo. Foi uma experiência muito legal. E se você não pôde passar por lá mas ficou curioso, leia um resumo do que rolou… aqui!
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modelos de negócio, valores de fundo e a salvação da pátria do jornalismo
29 09 2009Três links do momento não podem ser deixados de lado. Se você se interessa por jornalismo e pelas discussões sobre sua sustentabilidade, permanência e evolução, siga os links:
- Mindy MacAdams problematiza levemente a busca por novos modelos de negócio no jornalismo, assunto que vem crescendo em complexidade e importância com a crise dos jornais impressos nos Estados Unidos.
- O Washington Post ditou regras para seus jornalistas atuarem em redes sociais. Uma das preocupações do jornal seria a preservação da objetividade, este ainda importante valor de fundo no jornalismo. Paul Bradshaw comenta o caso e alarga seu raciocínio para pensar o fim da objetividade numa versão 2.0.
- Michael Rosemblum bate mais uma vez na tecla da salvação do jornalismo.
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manifesto internet: 17 constatações de como o jornalismo funciona
10 09 2009Paulo Querido conta como surgiu a versão portuguesa do Manifesto Internet, elaborado por um conjunto de jornalistas alemães em reação à desastrada Declaração de Hamburgo, feita por um grupo de proprietários de meios de comunicação europeus. O Manifesto Internet reacende a discussão sobre o papel do jornalismo e de jornalistas no turbulento e visceral cenário atual ultra e pós-midiático.
As 17 constatações que alicerçam o Manifesto são:
1. A Internet é diferente.
2. A Internet é um império dos media tamanho de bolso.
3. A Internet é a nossa sociedade é a Internet.
4. A liberdade da Internet é inviolável.
5. A Internet é a vitória da informação.
6. A Internet muda melhora o jornalismo.
7. A Internet requer gestão de ligações.
8. Ligações recompensam, citações enfeitam.
9. A Internet é um novo palco para o discurso político.
10. Hoje, liberdade de imprensa significa liberdade de opinião.
11. Mais é mais – não existe algo como demasiada informação.
12. A Tradição não é um modelo de negócio.
13. Os direitos de autor tornam-se um dever cívico na Internet.
14. A Internet tem muitas moedas.
15. O que está na Net fica na Net.
16. A qualidade permanece a mais importante das qualidades.
17. Tudo para todos.
Para ler na íntegra, veja o Manifesto aqui.
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mais 7 mil vagas: já pensou se…
10 09 2009A Câmara Federal aprovou ontem a proposta de emenda constitucional que cria mais 7 mil vagas de vereador em todo o Brasil. Segundo o G1, 370 deputados votaram a favor e só 32 contra. A PEC foi aprovada em primeiro turno e ainda precisa passar por mais uma votação no plenário. Só depois deve ser promulgada.
Sete mil novos vereadores!!!!
É claro que o Brasil não precisa de mais 7 mil vereadores, e é claro que a maioria dos eleitores seria contra isso, caso fosse ouvido de verdade por seus representantes. Mesmo assim, e talvez tardiamente, fico pensando: a sociedade não precisa de mais sete mil vereadores, porque eles não necessariamente trarão melhores condições de vida, porque não necessariamente responderão mais rápido aos anseios da população. Mas já pensou se, do dia pra noite, criassem…
… mais 7 mil vagas para dentistas no Brasil?
… mais 7 mil vagas para ginecologistas e obstetras para atuar nas periferias e nos sertões?
… mais 7 mil vagas de médicos de família, que visitassem as casas de idosos e enfermos?
… mais 7 mil postos de trabalho para juízes, que desafogariam os tribunais?
… mais 7 mil vagas para engenheiros tocarem e acompanharem obras paradas no país?
… mais 7 mil vagas para paramédicos do Samu?
… mais 7 mil cargos de agitadores culturais e artistas que atuem em bairros e pequenas cidades?
… mais 7 mil vagas para assistentes sociais que atuam junto a comunidades carentes?
… mais 7 mil vagas para professores de educação básica?
Já pensou?
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mais uma do azeredo
3 09 2009Como se já não bastasse o AI-5 Digital, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) continua brindando a Nação com sua expertise em internet e novas tecnologias, com seu bom senso legislador e com sua pertinácia grandiosa: ele é o relator da reforma eleitoral que quer deixar a internet de fora das campanhas. Como se fosse possível recolher grão por grão de areia do deserto…
Com seu brilho e inteligência, o senador considera que internet é como rádio e TV, e devem ser restringidas no uso. Blogs, redes sociais, sites de compartilhamento de vídeos e outras invencionices podem ser letais à democracia. Vai entender assim de comunicação e tecnologia lá no Senado…
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não se engane: “intrigas de estado” não opõe jornalistas e blogueiros
26 08 2009A primeira coisa que ouvi de “Intrigas de Estado” era que o filme dirigido por Kevin MacDonald colocava frente a frente para um combate jornalistas e blogueiros, personagens talhados a se odiar e se autodestruir. Confesso que demorei um pouco para assistir receando encontrar um enredo maniqueísta e raso. Mas jornalista não deve acreditar nos primeiros comentários que ouve, precisa é checar, conferir, provar a coisa.
Pois fiquem sabendo que “Intrigas de estado” (State of Play, no original) não opõe jornalistas e blogueiros e, por isso, não alimenta guerrinhas que se insinuam em ciclos cada vez mais curtos. Há exatos dois anos, aqui mesmo no Brasil, uma campanha do Grupo Estado causou polêmica na internet, comparando blogueiros a chimpanzés e a gente muito esquisita. À época, não quis embarcar numa briga intestina que para mim não tinha o menor sentido. Vi que não se tratava de algo apaixonado, mas apenas business.
No caso de “Intrigas de Estado”, a coisa também é bem diferente. O enredo coloca o jornalista Cal McAffey (interpretado por Russell Crowe) ao lado da blogueira Della Frye (Rachel McAdams) na cobertura de um caso que parece, no início, um simples assassinato de um anônimo mas se converte num caso de conspiração nacional, com implicações bilionárias e pessoais. Outra morte – agora de uma assistente do congressista Stephen Collins (Ben Affleck) – coloca mais gasolina na fogueira, pois entram em cena elementos como infidelidade conjugal, corrupção política, lobbies em Washington, as ascendentes empresas de segurança privada que alistam mercenários… enfim, juntaram sexo, poder, dinheiro e guerra! Para temperar, os produtores agregaram interesse público, conflitos de interesse e ética jornalística num cenário de transição midiática.
Veja o trailer
A trama coloca em primeiro plano uma dupla que parece no início muito contrastada, mas que ao longo do filme vai se mostrando afinada e convergente: de um lado, o jornalista tarimbado, conhecedor de lugares e pessoas, criterioso e desorganizado, comprometido com a profissão mas conflitado pois é amigo de longa data do deputado em apuros. De outro, a jovem blogueira, imediatista, impulsiva e levemente arrivista, mas que na verdade é apenas uma jovem repórter. Não, a dupla não vira um casal. Há pouco espaço e tempo para romances aqui. A relação que se mostra é muito mais de mestre e aprendiz, e é aí que a coisa está: o filme não opõe blogueiros e jornalistas, nem o velho contra o novo jornalismo.
Na minha leitura, o filme discute o que é essencial no jornalismo, o que faz do jornalismo algo relevante e útil na sociedade. Neste sentido, as críticas que o diretor deixa escapar pela boca do jornalismo experiente têm alvo certo: o jornalismo de sensação, a velocidade como fetiche, a correção e a precisão como acessórios, e a fofoca como modo de existência da informação. Cal McAffey dirige as suas ações para o que está por trás das versões que vão se colocando. Como quem tenta trazer à tona a verdade, o segredo oculto pelos interesses corruptores. O jornalista tenta convencer a jovem blogueira e a veterana publisher que há algo por trás daquilo tudo, algo que é essencial, que é o espírito da matéria.
Russell Crowe encarna esta perspectiva, a do homem-essencial. Seu jornalista anda com cabelos desgrenhados, está visivelmente fora de forma, come de forma desregrada, se veste de qualquer maneira. Seu carro é um velho Saab de 1990, azul calcinha. Seu apartamento até que é arrumado, mas a sua mesa no jornal é a sucursal do inferno… Cal McAffey é despojado, informal, focado no que é essencial. É avesso ao deslumbramento, ao imediato, à primeira impressão. É instintivo, racional e pouco convencional nos seus procedimentos. Afinal, a situação é delicada, e a distância que precisaria manter de suas fontes não é a ideal…
Você já viu isso…
“Intrigas de Estado” lembra mesmo “Todos os homens do presidente”, dirigido por Alan Pakula. Mas é deliberado, conforme reconhecem os próprios realizadores. A redação do jornal Washington Globe é um decalque de qualquer grande redação, e ainda mais a do Washington Post recriada para o clássico de 1976. O clima de suspense e de intriga segue os mesmos passos, e até mesmo a sequência da checagem de informações pelos jornalistas se remete ao trabalho de Bob Woodward e Carl Bernstein, interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman. (Veja o trailer)
Não só isso. “Intrigas de Estado” traz a ótima Helen Mirren no papel da publisher Cameron Lynne, fácil de ser comparada às editoras mandonas e inesquecíveis vividas por Glenn Close em “O jornal” e por Meryl Streep em “O diabo veste Prada”. Grandes atrizes em papéis fortes e decisivos.
O que não havíamos visto é a belíssima sequência final que mostra o processo industrial de impressão do jornal. Da composição, passando pelo fotolito das páginas e pela gravação da chapa de metal, vamos ao encaixe nas rotativas e o acoplamento das imensas bobinas de papel. Depois, as esteiras, a velocidade, as manchetes, a cadernização, os encartes, a dobra, o refile e o empilhamento dos exemplares. Por fim, os fardos de jornais são embarcados nos caminhões e seguem para a entrega nas bancas. Sim, é isso mesmo: contei o final do filme. Mas isso nem é o essencial, o essencial está em outro ponto, momentos antes do que contei.
Para Débora Miranda, do G1, o filme presta uma homenagem ao “velho jornalismo”. Talvez, talvez. Mas vejo mais como uma reafirmação do que é essencial no jornalismo, daquilo que mais importa nessa coisa ininterrupta de correr atrás dos fatos e contá-los da melhor maneira possível. O filme não tem gorduras, é enxuto e sem grandes efeitos especiais. Os cenários são cotidianos, os figurinos realistas e convencionais. A trilha sonora passa despercebida e até mesmo se apela para sequências onde sequer há fundo musical, num completo silêncio, magreza total. O filme se apóia na história, nas boas interpretações, nas idéias sérias que nos são atiradas no colo. Não há firulas nem penduricalhos, só despojamento e não-deslumbramento. Justamente, valores que o jornalismo – seja ele novo ou velho – deveria sempre cultivar…
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o que professores de jornalismo devem saber sobre redes sociais
24 08 2009Redes sociais precisam ser ensinadas e internalizadas nos cursos de Jornalismo, seja qual for a sua geografia. Existem diversos pesquisadores brasileiros e internacionais que se dedicam a discutir o que deve ser ensinado, de que maneira e qual a melhor forma de fazê-lo. Se você acompanha este blog, sabe que sempre cito Raquel Recuero, Gabriela Zago, Carlos Castilho, Beth Saad e a turma do Intermezzo, Adriana Amaral, Alex Primo, Marcelo Träsel, Jorge Rocha e muitos mais que nem vou me atrever a mencionar ou linkar.
Desta vez, pinço o que pensa Suzanne Yada, estrategista no uso de redes sociais, jornalista e que agora, retorna aos bancos escolares para terminar seu bacharelado na área. Suzanne participou recentemente de um painel durante a convenção da Association for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC), algo como a nossa Intercom.
Para Suzanne, não basta ensinar redes sociais, veja uma síntese do que ela disse aos professores da área:
- Professors need to not only teach social media, but practice it. It is now their job to understand this.
- The students are also resistant. Just because they’re young and on Facebook doesn’t mean they know social media.
- There’s a lesson plan in comparing ethics policies, legal quandaries and best practices of news organizations using social media. Less emphasis on teaching the tools, more on teaching principles.
- Students who know social media should become TAs or peer teachers, or help organize a bootcamp/BarCamp at school to teach both students and the professors about social media.
- But, professors, please still keep hammering fundamentals. Don’t get lost in the latest buzzword. Everything taught about social media should point straight back to the basics.
Leia na íntegra aqui.
Uma pergunta incômoda que me faço é: nossas escolas mantêm essas preocupações?
Mas tenho outras: os professores estamos capacitados para esse tipo de ensino? Existem condições objetivas para que nossos cursos ofereçam esses conteúdos programáticos? Avançamos na pesquisa a ponto de já ter uma dimensão do impacto que as redes sociais trazem para o ensino e a formação dos novos jornalistas? E pra ser mais cruel ainda: os alunos podem prescindir dos professores para esse assunto?
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the last trip, na trip
21 08 2009Tenho conversado com alunos e profissionais da área que hoje se fala em crise dos jornais, em fim dos jornais – e nos casos mais estridentes, em fim do jornalismo -, mas não se fala de fim das revistas. Talvez por uma razão muito simples: há tempos, as revistas levantaram seus fundilhos da cadeira e estão correndo atrás de saídas. Isso mesmo, as revistas são para os meios impressos o que os seriados são para a indústria audiovisual: um oásis de ousadia, de criatividade e de inteligência.
Na telinha e na telona, os seriados são o que temos de mais interessante e empolgante, dando um banho no cinema, e criando franquias de produtos e bens simbólicos de muito sucesso. Os arrasa-quarteirões hollywoodianos têm seu lugar no mercado, movimentam milhões de dólares e espectadores, mas têm se ressentido de acomodação e dogmatismo. Já disse aqui que o jornalismo poderia aprender bastante com os seriados de hoje em dia…
O mesmo acontece na indústria dos meios impressos. E aqui não falo mais tão somente de mídia, mas de jornalismo mesmo!
Os jornais queixam-se da queda das vendas, da migração de verbas publicitárias para outros meios, da redução de tempo de leitura, mas pouco ou quase nada têm feito para se reinventar. As revistas, por outro lado, trabalham em consonância com pesquisas de opinião pública e estudos de satisfação; buscam nichos bem específicos e os exploram – no bom sentido – até as raízes; promovem reformas gráficas e editoriais; e radicalizam em algumas boas idéias. Cito uma que está nas bancas: Trip.
Faz tempo que a Trip vem fazendo um jornalismo inventivo, inteligente, ousado e coerente, acima de tudo. É uma publicação voltada a um público good vibes, que tem a mente aberta, preza pela saúde e por um modo de vida saudável-consciente. Por isso, a revista não aceita nem veicula anúncio ligados à industria tabagista. É uma questão de princípios, já martelou diversas vezes o publisher Paulo Lima. É uma publicação que tem uma estratégia simples e inteligente para ganhar visibilidade nas bancas: todo mês, chega às prateleiras com duas capas. Com isso, faz uma jogadinha de marketing de “dar escolha” ao leitor e ocupa dois espaços nos displays. Não bastasse tudo isso, a revista adotou uma linha editorial que a permite ser temática a cada mês, explorando temas e assuntos à exaustão.
Na edição de agosto, me chamou muito a atenção a coragem da equipe. O tema é, nada mais nada menos, a morte. Um assunto delicado, indigesto, complexo. As pessoas – exceto as que vivem disso! -, as pessoas geralmente não buscam a morte, não procuram esse assunto, e na verdade, fogem dele. Por medo, por convicções íntimas ou por escolha. Morte é um tema do qual se evita falar. Mas a Trip de agosto não só abordou a morte de forma séria e também bem-humorada, como até mesmo inusitada. A morte é tratada não só como o fim da vida, mas como sua transcendência, uma fase, uma transformação. Por isso, a revista convidou Fujocka, um mestre no tratamento de imagens, para projetar como estariam alguns de nossos ídolos hoje caso não tivessem ido para o outro lado. Nem o finado mais ilustre dos últimos tempos, Michael Jackson, escapou. Basta ver aí ao lado a reprodução de uma das capas oferecidas ao público.
Mas o que achei mais impactante foi a matéria em que a revista reproduz fotos do projeto de Walter Schels, que clicou 24 pessoas momentos antes de morrer e logo depois da partida. Todos os retratos foram consentidos, e a esposa do fotógrafo colheu depoimentos dos sujeitos, dando testemunhos de vida e morte. A Trip republicou parte do material, tomando quase a totalidade das páginas dedicadas à matéria. Se você ficou curioso, pode ver aqui. Mas a versão do site não se compara à qualidade do material impresso, com altíssima resolução, contraste perfeito e uma carga dramática avassaladora. A Trip nos apresenta fotos de cadáveres numa outra dimensão. Ela nos mostra a morte, nos esfrega a morte na cara, nos incita a vê-la. E leitor passa por aquilo, como quem passa pela vida.
Isso é ousadia. É coragem, e a vontade de fazer jornalismo e revista de uma forma diferente sempre. Os jornais – os nossos e os de fora, que sofrem fortemente com a tão alardeada crise – poderiam abrir os olhos para esses exemplos…
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comissões de ética: unificar procedimentos é um bom começo
20 08 2009Passou despercebido da maioria, mas a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) publicou recentemente em seu site um documento que deve padronizar o trabalho das comissões de ética dos seus sindicatos. O novo regimento não se aplica à Comissão Nacional de Ética, mas às instâncias estaduais, o que sinaliza um movimento unificador de procedimentos, algo inédito até então. Antes disso, havia disparidades entre os sindicatos tanto na composição dos membros das comissões quanto na sua nomenclatura e mesmo nos trâmites internos.
Inicialmente burocrática, a publicação do novo regimento pode ser vista como um passo na direção de ações mais contundentes no que tange a ética jornalística no Brasil. Pois uma entidade do alcance da Fenaj – e mesmo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – pode contribuir de forma mais incisiva para o aprimoramento de práticas e condutas dos profissionais do jornalismo.
Pessoalmente, sempre fui um crítico do pouco uso das comissões de ética. Em 2001, em “Monitores de Mídia: como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos” (Ed. UFSC e Univali), apontei uma certa invisibilidade das comissões de ética tanto pela categoria quanto pela sociedade. Indaguei repórteres e editores sobre seus conhecimentos acerca de regras deontológicas e deslizes de colegas. De forma unânime, os respondentes se diziam conscientes do Código de Ética do Jornalista Brasileiro, mas pouco ou nada sabiam do funcionamento das comissões dos sindicatos e mesmo da Fenaj. Isto é, temos um nó na questão: se as comissões não são visíveis ou conhecidas, como as denúncias de condutas questionáveis eticamente são avaliadas? Se as comissões não iniciam procedimentos de julgamento de conduta, a impressão que fica é de que está tudo muito bem, e as comissões deixam de ter função, o código de ética repousa na gaveta das redações e profissionais faltosos incorrem em novos erros.
Em 2005, em “Jornalismo em Perspectiva” (Ed. UFSC), voltei a bater na tecla da necessidade de as comissões de ética se estruturarem, pois são elas as instâncias judicantes, que têm a função de zelar e aplicar o código deontológico.
De lá pra cá, não se pode dizer que nada tenha mudado. Em 2007, após um intenso debate nacional, a Fenaj aprovou em assembléia um novo Código de Ética do Jornalista Brasileiro. Agora, a entidade tenta uniformizar os procedimentos das primeiras instâncias de julgamento nos sindicatos. Para começar, são bons passos, mas é preciso ir além. Códigos e comissões são importantes para a profissionalidade, mas as mudanças de cultura demoram mais tempo, dependem da conjugação de esforços e investimentos diversos.
Em termos formais, as comissões de ética dos mais de trinta sindicatos ligados à Fenaj terão que se ajustar à normativa recém-editada. Mas só isso não trará novos resultados. Os sindicatos precisam entender que as comissões de ética podem ser mais do tribunais profissionais. Elas podem atuar como fomentadoras de debates, promotoras de cursos de aperfeiçoamento e formação, mobilizadoras da categoria para discussões maiores, que transcendam os interesses corporativos. Temas como corrupção na sociedade, liberdades individuais, transparência na coisa pública, valores morais da coletividade, todos esses podem ser tratados pelas comissões de ética, apoiados em debates mais amplos.
Para além de uma instância punitiva, as comissões de ética podem se tornar células de difusão de valores e pensamentos jornalísticos mais afinados com o interesse público e com a natureza social da profissão. As comissões de ética podem funcionar não apenas motivadas por denúncias, mas também proativamente. É a inversão de um pólo: a comissão deixaria de ser reativa para ser ativa. Com isso, contribuiria para disseminação de valores que se sedimentam na cultura das organizações e na cultura profissional com tempo e perenidade.
Mas para uma mudança como essa, não basta apenas um regimento. Os sindicatos precisam organizar melhor as comissões de ética, garantir-lhes condições de trabalho e operacionalidade, enfim, destinar recursos logísticos e financeiros. Assim, talvez, as comissões deixem de ser invisíveis, operem com mais naturalidade e não passem tão despercebidas.
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conteúdo versus jornalismo
12 08 2009O sempre conectado Mark Briggs posta hoje no seu blog uma discussão que inferniza cabeças nas redações e na academia: a produção de conteúdo genérico por usuários não profissionais ameaça o trabalho profissional do jornalismo, consagrado nas últimas décadas?
Leia aqui, na íntegra.
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sessão da tarde na tv senado…
6 08 2009Frank Maia, sempre ele, dá o tom da coisa…
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fora sarney: um mashup
1 08 2009A dica me foi passada pelo Palmério Dias. É mais uma versão da já clássica cena de A queda, em que Hitler e seus lacaios estão no bunker, na iminência de serem derrotados. Como sabem, Hitler desespera-se e espalha xingamentos e ira para todos os lados. Já vi diversas versões da cena, sempre legendadas num outro contexto e sempre com muito bom humor. Desta vez, Hitler está no papel de Sarney.
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com o twitter, quem precisa de jornais?
29 07 2009Chris Anderson, o editor da Wired, dá uma paulada na moleira da mídia tradicional. Em entrevista a Frank Hornig, do Salon.com, o autor de A Cauda Longa fala de jornalismo, de modelos de negócio que podem ajudar a sustentar a indústria de mídia e sobre o tamanho da economia da internet. O título da entrevista é provocativo: quem precisa dos jornais quando se tem o Twitter?
O homem por trás de uma das mais prestigiadas publicações (impressas) sobre tecnologia é categórico. Quando se detém para discutir o futuro da comunicação, não usa mais palavras como “jornalismo”, “mídia” e “notícias”. Para ele, esses termos ajudaram a definir o padrão de difusão informativa no século XX e hoje já precisariam ser substituídas, porque o cenário mudou.
A entrevista é interessantíssima, deve ser lida com atenção, e guardada para conferirmos possíveis erros e acertos nos prognósticos.
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tá feia a situação no morumbi
19 07 2009Esses dias, estava pensando: Putz! Faz tempo que não vibro pra valer com o São Paulo. Dois segundos depois, pensei: Na verdade, ultimamente, é só decepção: mandam embora o Muricy, contratam o Ricardo Gomes, o time acumula derrotas, derrapa e não vai pra frente…
Aí, decidi fazer um “Momento PVC”: números e estatísticas do São Paulo Futebol Clube nos seus últimos 15 jogos.
- De 19 de abril pra cá, foram 15 jogos em três competições: Paulistão, Brasileirão e Libertadores.
- 7 derrotas, 5 empates e apenas 3 vitórias
- O São Paulo perdeu a final do Paulistão, foi desclassificado na Libertadores e hoje – antes do jogo com o Santos – está a 1 ponto da zona de rebaixamento no Brasileirão.
- Antes de enfrentar o Santos – daqui a pouco -, o São Paulo tem 11 pontos acumulados em 11 jogos. Resultado pífio.
- O São Paulo só venceu duas vezes neste Brasileirão.
- A campanha é tão ruim que se o time estivesse na Série B estaria em antepenúltimo, prontinho para cair para a terceira divisão. Pior que o São Paulo na Série B só mesmo o ABC e o Campinense, da Paraíba.
Um retrospecto das últimas 15 partidas:
- 19 de abril: perdeu por 2 a 0 a final do Paulistão para o Corinthians
- 22 de abril: ganhou por 2 a 1 do América de Cali na Libertadores
- 10 de maio: perdeu por 1 gol para o Fluminense no Brasileirão
- 17 de maio: empatou em 2 gols com o Atlético Paranaense
- 24 de maio: empatou com o Palmeiras num jogo sem gols
- 27 de maio: perdeu por 2 a 1 para o Cruzeiro na Libertadores
- 31 de maio: perdeu mais uma vez para o Cruzeiro: 3 a 0
- 7 de junho: empate sem gols com o Avaí
- 13 de junho: Santo Antonio não ajudou e o São Paulo empatou com o Santo André em 1 a 1
- 18 de junho: virou freguês do Cruzeiro e perdeu mais uma. 2 a 0 pros mineiros
- 21 de junho: perdeu para o Corinthians por 3 a 1
- 27 de junho: ganhou do Náutico, por 2 a 0
- 05 de julho: virou freguês do Corinthians. Perdeu de novo, agora por 2 a 0
- 12 de julho: arrancou um empate em 2 a 2 com o Flamengo
- 16 de julho: perdeu por 2 a 0 do Atlético Mineiro
Não arrisco prognóstico para o clássico com o peixe daqui a pouco. Mas tomara que não prevaleçam os números. Nem os que eu citei, nem a disparidade entre os dois times. A equipe do Morumbi é devota de um santo só, enquanto que o time da Baixada é plural na santidade, leva vantagem…
ATUALIZAÇÃO: O São Paulo venceu o Santos por 2 a 1. Mas isso não basta. Precisa melhorar muito ainda…
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3 fatos preocupantes de agora
16 07 20091. O próprio Ministério da Saúde reconheceu: o vírus da temível gripe A já circula pelo Brasil. O mundo vive uma pandemia e já disseram que na vizinha Argentina haveria 100 mil infectados. Mantenhamos a calma.
2. O presidente da Comissão de Ética do Senado, Paulo Duque, é um senador sem voto. Ele é suplente de suplente de senador. Mantenhamos a vigilância.
3. A oposição e a mídia exibem os tentáculos de José Sarney, mas nada deve acontecer a ele. Mantenhamos a indignação.
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mais sarney… mais sarney!!!
11 07 2009Sarney é como Michael Jackson: está em toda a parte!
No Maranhão, ainda mais…
- Para nascer, Maternidade Marly Sarney;
- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney;
- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;
- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;
- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;
- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);
- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.
Fora do Maranhão…
- Para dançar, o Funk do Sarney:
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